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Até o final de agosto de 2026, China já exportou mais carros elétricos do que em 2025

em Tecnologia
segunda-feira, 14 de setembro de 2026

A China exportou mais de 6,2 milhões de veículos elétricos de passeio nos primeiros oito meses deste ano, superando, com quatro meses de antecedência, o total de 2025, informou a agência Associated Press. Só em agosto, foram exportados cerca de 890 mil veículos, um aumento de 67,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Vivaldo José Breternitz (*)

No mercado interno, o cenário foi muito diferente: um pouco menos de 1,5 milhão de veículos foram vendidos em agosto, uma queda de 25,6%. A tendência não é nova: no primeiro semestre as vendas no mercado doméstico caíram 20%, o pior desempenho desde 2021.

Mas o crescimento nas exportações vai compensar em grande parte a queda nas vendas domésticas, como disse Stephen Chan, analista da S&P Global Ratings, que acredita que as exportações de carros de passeio cresçam entre 50% e 70% em 2026.

Grande parte das exportações destinaram-se à Europa. Em junho, marcas chinesas tiveram participação recorde de 10,9% no mercado europeu, com 150.272 veículos vendidos, uma alta de 118% em relação ao ano anterior.

A União Europeia aplica tarifas sobre veículos elétricos importados: até 35% adicionais sobre o imposto padrão de 10%, em vigor desde outubro de 2024; inclusive montadoras europeias que exportam de fábricas na China estão sujeitas às tarifas. Os híbridos plug-in, porém, não são abrangidos.

É justamente nesse segmento que ocorreu a expansão. No primeiro semestre, marcas chinesas conquistaram 28% do mercado europeu de híbridos plug-in, e o BYD Seal U superou o Volkswagen Tiguan, até então o campeão de vendas no segmento. A Comissão Europeia estuda também tarifas para esses modelos, segundo o jornal alemão Handelsblatt.

Mesmo que sejam impostas, essas tarifas podem ter seus efeitos amenizados por medidas como as que vem sendo tomadas por empresas como a BYD, que está colocando em operação uma fábrica na Hungria – e carros fabricados na Hungria são europeus, e consequentemente isentos de boa parte das tarifas…

Como temos dito, é mais uma batalha em uma guerra que ainda deve se prolongar.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].