Aproxima-se a data de lançamento do
telescópio James Webb

A NASA prepara-se para lançar seu telescópio James Webb, que entre outras, assumirá algumas missões, as quais vêm sendo cumpridas pelo Hubble, em serviço desde 1980. O engenho recebeu o nome de um antigo administrador da NASA, James Edwin Webb, que liderou o programa Apollo e outras importantes missões espaciais.

Vivaldo José Breternitz (*)

O lançamento do James Webb foi adiado diversas vezes, mas agora está marcado para 18 de dezembro, após seus testes terem sido concluídos no final de agosto. Entrará em órbita levado por um foguete Ariane 5, fabricado pela Airbus e que será lançado da base de Kourou, na Guiana Francesa.

É um projeto bastante longo: seu desenvolvimento começou em 1996, com lançamento inicialmente previsto para 2007, mas em 2005 a equipe envolvida descartou grande parte do trabalho efetuado até então e passou a reprojetar o telescópio.

A construção foi dada como concluída em 2016, com lançamento previsto para 2018, mas testes apontaram uma série de problemas, que geraram novos atrasos, agravados pela pandemia.

A importância do telescópio é muito grande; é considerado o sucessor do Hubble, mas com capacidade de detecção de corpos celestes muito maior. Pesando 6,5 toneladas, é extremamente sofisticado do ponto de vista técnico, havendo inclusive a exigência de que seus instrumentos permaneçam extremamente frios (-225 ºC), para garantir a precisão de suas observações.

Sua missão será relativamente curta, ele não terá uma vida útil tão longa como a do Hubble. Como estará em uma órbita muito alta, que não pode ser atingida pelos ônibus espaciais, não poderá ser reabastecido ou receber manutenção. A NASA diz que ele deverá permanecer em operação por 5 anos, embora haja uma expectativa otimista de 10 anos.

Todo o esforço e o investimento de US$ 3,5 bilhões podem valer a pena. Além de lançar mais luz sobre o as origens do Universo, o telescópio também deve ajudar os astrônomos e astrofísicos no preenchimento de lacunas em estudos acerca de áreas nas quais o Hubble não é eficiente. Há uma chance muito real de que o James Webb ajude a resolver uma série de mistérios cósmicos durante sua breve existência.

Kourou foi escolhido como local de lançamento pela sua proximidade do Equador, o que permite o uso de foguetes menores e mais baratos para a colocação de engenhos em órbita. Nossa base de Alcântara, no Maranhão, caso estivesse em plena operação, poderia ser um local alternativo para o lançamento, mas diversos fatores, inclusive de ordem política, impedem o seu uso.

(*) É Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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