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Amazon e Walmart: um caso de coopetição

em Tecnologia
sexta-feira, 26 de setembro de 2025

“Coopetição” é uma palavra que combina “cooperação” e “competição”, descrevendo a relação entre empresas que, ao mesmo tempo, competem em algumas áreas e colaboram em outras.

Vivaldo José Breternitz (*)

A Amazon parece estar aumentando a prática da coopetição, consolidando sua posição como parceira logística de varejistas de todos os tamanhos, mesmo daqueles cujas operações online competem diretamente com as suas. Esse movimento fica claro quando se examina o relacionamento entre a Amazon e o Walmart, que, de rivais em seus marketplaces, se transformam em colaboradores no campo da logística.

A gigante do comércio eletrônico avança no setor de logística ao permitir que lojistas utilizem sua rede de entregas para remeter as compras feitas via Walmart.com, permitindo que esses vendedores conectem suas vendas diretamente à infraestrutura da Amazon, otimizando processos. Dharmesh Mehta, vice-presidente da Amazon, descreveu a mudança como uma integração simplificada, afirmando que “sempre que houver um pedido do Walmart, nós o atenderemos”.

Embora o movimento reflita uma cooperação significativa, Amazon e Walmart não estão operando como parceiros formais. O Walmart não anunciou nenhum acordo com a Amazon e continua a promover seu próprio programa de logística de comércio eletrônico, o Walmart Fulfillment Services. Em vez disso, o Walmart deixa a decisão a critério dos lojistas, que podem escolher a entrega via rede da Amazon caso acreditem que ela ofereça maior eficiência ou alcance.

Para os consumidores, a parceria não é imediatamente visível, pois o Walmart exige que os pedidos de seu marketplace não sejam enviados em caixas com a marca Amazon, evitando a percepção de que está terceirizando o envio para um rival. Esses itens também chegam sem o logo do Walmart, em embalagens sem marca.

A Amazon está usando a mesma estratégia com outros concorrentes: ainda neste ano, a empresa planeja entregar pedidos do marketplace de moda Shein, e expandir suas operações com lojistas da Shopify.

Com isso, a Amazon intensifica a concorrência com operadores logísticos como FedEx, UPS e DHL e enfatiza sua estratégia no sentido de se apresentar também como uma operadora logística neutra.

Ao processar pedidos de marketplaces concorrentes, a empresa busca aumentar a receita de serviços nessa área, que em 2024, atingiram US$ 156 bilhões, quase um quarto de sua receita total de US$ 638 bilhões.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].