
A Intel acaba de receber mais um golpe em sua já delicada situação financeira.
Vivaldo José Breternitz (*)
A agência de classificação de risco Fitch rebaixou o rating de crédito da companhia de BBB+ para BBB, deixando os títulos da gigante dos chips apenas duas posições acima do temido status de “grau especulativo” ou “junk” – lixo.
A decisão reflete as crescentes dificuldades da empresa em manter a demanda por seus produtos e enfrentar a concorrência cada vez mais forte de empresas como Broadcom, Qualcomm e AMD, todas com estruturas financeiras mais robustas.
Segundo o relatório da Fitch, para que a Intel recupere sua antiga classificação, será necessário aumentar sua presença no mercado, lançar novos produtos com sucesso e reduzir o endividamento líquido nos próximos meses.
A agência também destacou que a Intel está ficando para trás na corrida da inteligência artificial. A estratégia da empresa no setor é considerada vaga e dependente de sistemas e software, áreas em que historicamente tem desempenho fraco ou mesmo está ausente.
Apesar disso, a Fitch apontou alguns pontos positivos. Com medidas agressivas de corte de custos — incluindo várias rodadas de demissões — a Intel prevê reduzir suas despesas operacionais para US$ 17 bilhões em 2025 e US$ 16 bilhões em 2026, frente aos US$ 19,4 bilhões de 2024.
Como parte da estratégia traçada por seu CEO Lip-Bu Tan, a Intel deve demitir cerca de 24 mil funcionários ao longo de 2025. Já em 2023 e 2024, foram cortados 15 mil empregos em cada ano. Recentemente, Tan admitiu que a empresa já não está mais entre as 10 maiores fabricantes de chips do mundo.
Mas a situação é crítica. Em um documento enviado recentemente às entidades reguladoras, a empresa alertou que pode paralisar ou desacelerar o desenvolvimento de sua tecnologia avançada de 1,4 nanômetros, caso não consiga fechar contratos com clientes de peso.
No mercado de processadores para produtos de consumo, a queda também é evidente. Pesquisa recente da Steam revelou que a participação da AMD, grande concorrente da Intel, atingiu o recorde de 40%, após meses de crescimento constante — resultado direto da perda de espaço da Intel.
A crise na empresa não é nova. Em agosto de 2024, a Moody’s também já havia rebaixado o rating da Intel, prevendo uma lucratividade significativamente mais fraca ao longo dos 12 a 18 meses seguintes, o que está se confirmando.
O drama da Intel lembra o da Kodak, líder em tecnologia que viveu um processo semelhante há alguns anos e que deixou de ter relevância no mundo empresarial.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor e consultor – [email protected].




