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A história se repete: WhatsApp deverá ter versão paga

em Tecnologia
segunda-feira, 27 de abril de 2026

O WhatsApp sempre foi grastuito, e essa é uma das razões pelas quais ele é tão popular: em todo o mundo, cerca de 3,3 bilhões utilizam-no ao menos uma vez por mês; no Brasil, são 148 milhões de usuários, algo como 98% dos proprietários de smartphones no país.

Vivaldo José Breternitz (*)

No entanto, a Meta parece disposta a testar até onde vão a paciência e o bolso dos usuários: o recém-anunciado WhatsApp Plus traz uma versão premium que, por enquanto, oferece adicionalmente apenas algumas futilidades, como figurinhas com efeitos especiais, ícones diferentes, toques personalizados etc.

Nada disso muda a essência do aplicativo, mas é suficiente para plantar a semente de uma postura da Meta e de outras bigtechs: quem quer mais, tem que pagar. É algo que as ferramentas de IA já vem fazendo, cobrando por versões que apresentam serviços mais sofisticados, como imagens, sons etc.

É curioso notar que a empresa começa pelo supérfluo. Não mexe naquilo que é vital, como mensagens, chamadas, criptografia, mas aposta na vaidade digital. É uma jogada calculada: ninguém abandona o app por não ter acesso a figurinhas animadas, mas muitos podem se sentir tentados a pagar para se diferenciarem.

O preço, ainda não definido oficialmente, deverá variar bastante entre regiões. Isso mostra que a Meta está disposta a ajustar a cobrança conforme o poder aquisitivo local, uma estratégia que pode ampliar a adesão. E, convenhamos, com mais de dois bilhões de usuários, mesmo um pequeno número de assinantes da versão paga já representará uma receita muito considerável.

O movimento não é isolado. O Instagram Plus também está em testes, com recursos adicionais como stories mais longos e futilidades como os“super hearts”, reações especiais que aparecem como corações vibrantes e animados, diferentes das curtidas tradicionais.

A estratégia parece clara: a Meta quer transformar seus aplicativos em plataformas de duas camadas, uma gratuita, básica, e outra paga, com incrementos.

Acerca de gratuidade na era digital, vale a pena lembrar o que disse o jornalista Andrew Lewis em 2010:  “se o serviço é de graça, o produto é você”, significando que, ao utilizar plataformas digitais gratuitas (redes sociais, apps, e-mails), nossos dados pessoais, comportamento e atenção são coletados e vendidos para anunciantes, tornando-se ferramentas para personalizar anúncios e influenciar decisões.

No entanto, o WhatsApp Plus pode estar dando o primeiro passo de uma transição que parece inevitável: a era em que até os aplicativos mais populares terão algum custo financeiro para seus usuários.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].

WhatsApp Pay é uma evolução, não uma revolução – Jornal Empresas & Negócios