Retrospectiva 2018: a bolsa de valores do Brasil

Gustavo Velez de Andrade (*)

No ano de 2018 os brasileiros acompanharam uma evolução, ainda vagarosa, da economia do país.

Apesar da volatilidade presente por todo o período, o principal índice da bolsa brasileira fechou o ano com uma valorização de 15,03%, com metade dos ativos que compõem o índice encerrando com uma valorização superior a isso. Dentre os 66 papéis que compõem o Ibovespa, 45 tiveram alta em 2018 (33 com altas superiores ao índice e 12 uma alta inferior) e apenas 20 ativos se desvalorizaram ao longo do ano.

O nível de negociações cresceu 22,6% em relação a 2017 e, apesar da saída de quase R$ 11 bilhões de recursos estrangeiros, o ano foi marcado pela grande procura de fundos locais pela bolsa brasileira. Para o investidor de bolsa, 2017 foi mais promissor: o índice acumulou uma valorização de 26,9%.

Em 2018, os momentos de estresse gerados em função de um cenário externo caótico geraram quedas que impediram um resultado mais satisfatório; porém, a bolsa brasileira apresentou um resultado de destaque ante a pares emergentes e até mesmo países desenvolvidos.
Entre os ativos que se destacaram positivamente ao longo do ano, temos Magazine Luiza (126,3%), Cemig PN (116,4%) e B2W (105%). Dentre os destaques negativos, Cielo ON (-58,3%), Qualicorp ON (-56,9%) e Kroton ON (-50,1%).

Entre os principais eventos que impactaram diretamente nesses índices tivemos, em maio, dez dias nos quais o Brasil vivenciou uma paralização generalizada dos caminhoneiros – foi a maior greve registrada nos últimos 20 anos. Prejudicados pelos consecutivos aumentos no preço do diesel, os caminhoneiros travaram as principais rodovias de todo o país, provocando desabastecimento de combustível e alimento em todo o território.

De acordo com o Ministério da Fazenda, a greve custou R$ 15 bilhões, equivalente a 0,2% do PIB. Tal perda refletiu nos resultados das ações durante o período.Apesar de ter influenciado negativamente no resultado do ano, a greve não foi um fator isolado.

A tensão durante o processo eleitoral brasileiro, as guerras comerciais entre Estados Unidos e China, os fracos desempenhos divulgados entre as principais economias globais e o desenrolar incerto da saída do Reino Unido da União Europeia foram fatores que, ao longo do ano, derrubaram as estimativas de resultados.

O PIB, por exemplo, fechou em 1,6%, metade do projetado no início de 2018. Para 2019, alguns ruídos nos Estados Unidos estão no radar do mercado, principalmente em relação à desaceleração econômica em que o país se encontra.

Espera-se que a reforma da previdência seja aprovada ainda no primeiro semestre do novo governo, abrindo espaço para mais confiança no mercado brasileiro e, consequentemente, uma maior atividade econômica.

(*) – É assessor da Blackbird Investimentos, escritório credenciado à XP Investimentos.

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