Avanço tecnológico: ameaça ou oportunidade para os profissionais?

Cesar Moro (*)

Pesquisa da PwC, com a participação de mais de 52 mil pessoas de 44 países, revelou que 30% dos entrevistados enxergam o avanço tecnológico como ameaça existencial.

A grande preocupação é a possibilidade de suas funções serem substituídas pela tecnologia nos próximos três anos. Além disso, 39% afirmam ter receio de não receber treinamento suficiente em habilidades digitais por parte de seus empregadores. Entre a geração Z, a proporção é ainda maior.

Dados do mesmo estudo mostram que as empresas estão investindo em seus profissionais por meio da qualificação e aumento de salários. Entretanto, apenas 40% dos respondentes afirmam terem recebido esses investimentos. Na área financeira, um dos fatores que reforçam o temor de que as funções sejam substituídas pela tecnologia é a perspectiva de diminuição da força de trabalho.

De acordo com o relatório do Fórum Econômico Mundial de 2020, até 2025, 43,2% das empresas pretendem diminuir as equipes atuais por conta da automatização.
Além disso, até 2025, estima-se que 85 milhões de empregos poderão sofrer os impactos da divisão do trabalho entre humanos e máquinas em todo o mundo, incluindo o Brasil. Atividades redundantes diminuirão de 15,4% para 9% da mão de obra.

Entre as funções da área financeira citadas no relatório como “redundantes” e que estão sendo deslocadas pelo avanço tecnológico estão: escriturários de contabilidade e folha de pagamento, secretários, contadores e auditores.

Entretanto, as tendências sugerem que, diferentemente de substituídas, as atividades tradicionais exigirão novas habilidades de seus profissionais, mostrando um cenário de mudanças para que o mercado de trabalhadores se adapte às novas demandas.

À medida que mais sistemas computacionais são usados no nosso dia a dia, cresce a demanda por trabalho especializado, mudando de atividades operacionais para aquelas mais tecnológicas e que exigem proficiência no uso de programas e aplicativos.

O profissional que se capacita com tais habilidades encontra um mercado repleto de posições a serem preenchidas. Segundo o levantamento Fórum Econômico Mundial, mais de 97 milhões de vagas poderão surgir, e profissões emergentes crescerão de 7,8% para 13,5%. Entre elas, estarão em alta: especialistas em IA e machine learning, em automação de processos, power BI, gestão de riscos e transformação digital, conselheiros estratégicos, analistas de dados e segurança da informação.

Essa transformação torna-se um facilitador para que profissionais se capacitem em ferramentas especializadas nas suas áreas de trabalho e, assim, se tornem profissionais mais produtivos, pois sistemas computacionais já fazem parte das suas rotinas de uma forma ou outra. Dito isso, fica claro que a visão de que sistemas computacionais diminuiu a demanda por trabalho está equivocada.

No caso do profissional financeiro, será preciso estreitar as relações com as tecnologias que estão se inserindo em seu meio e capacitar-se para operá-las. Softwares de gestão financeira podem, por exemplo, otimizar processos, liberando mais tempo para que os colaboradores se dediquem à maximização de resultados.

Não há outro caminho, portanto, a não ser entrar na estrada das inovações, e quem não fizer isso certamente ficará para trás.

(*) – É CTO do Accountfy

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