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Varejo de móveis e eletrodomésticos avança como agente financeiro

em Mercado
quarta-feira, 05 de fevereiro de 2025

Recursos captados principalmente via FIDCS estão ajudando a financiar as operações no modelo de embedded finance. Estudo da Vertrau mostra que o patrimônio líquido desses fundos cresceu 40% de janeiro a dezembro de 2024 neste segmento

Os varejistas de móveis e eletrodomésticos têm ampliado fortemente a oferta direta de crédito aos seus clientes, em lugar dos bancos tradicionais, confirmando a adesão ao embedded finance, movimento em que empresas oferecem produtos e serviços financeiros diretamente, contando com o apoio da tecnologia, sem a necessidade de se tornarem instituições financeiras. A tendência é confirmada em estudo recente da Vertrau Tecnologia, empresa especializada em gestão de recebíveis e fornecedora de soluções aos fundos de investimentos, com base nos dados de estruturação de FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios).

Um dos principais canais de captação dos recursos do varejo para oferecer crédito, os FIDCs tiveram um aumento de 40% do Patrimônio Líquido relacionado ao comércio de eletromóveis em 2024, alcançando R$ 6,5 bilhões em dezembro, comparativamente aos R$ 4,6 bilhões em janeiro do mesmo ano, segundo o estudo da Vertrau.

“Os resultados do estudo deixam claro que o embedded finance é uma realidade consolidada no varejo de eletromóveis, e ele está sendo alavancado pelos FIDCs”, avalia Israel Malheiros, Head de Operações e Produtos da Vertrau, empresa especializada em gestão de recebíveis e fornecedora de soluções aos fundos.

Ele destaca que o crescimento expressivo do patrimônio líquido desses fundos é uma demonstração de como a tecnologia tem ajudado a integrar varejistas, investidores e consumidores e ampliado a oferta de crédito e de outros serviços por empresas não financeiras.

“Varejistas do segmento de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos estão assumindo as operações financeiras dos seus clientes, sem que eles necessitem obter crédito junto aos bancos tradicionais. E os FIDCs estão ajudando a impulsionar essas operações, pois viabilizam desde a antecipação de recebíveis da cadeia de fornecedores até o autofinanciamento e a concessão de crédito ao consumidor final”, observa Malheiros.

O Head de Operações e Produtos da Vertrau explica que o embedded finance utiliza APIs (Interfaces de Programação de Aplicativos) que permitem aos diferentes sistemas de software se comunicarem entre si. Desta forma, as empresas passam a ofertar serviços e produtos financeiros diretamente em suas plataformas, de forma ágil e segura. Para os clientes, as soluções de crédito destinam-se a financiar as compras ou viabilizam a oferta de crédito pessoal e consignado, entre outros serviços.

Uma das principais peças que fazem esse ecossistema funcionar é a automação dos processos operacionais. Sistemas tecnologicamente robustos são capazes de integrar plataformas de gestão empresarial (ERPs), dados de vendas, inventários e gestão de recebíveis. Esse nível de automação é essencial para alimentar os FIDCs com dados precisos e em tempo real, reduzindo riscos e aumentando a confiabilidade das operações financeiras.

Alguns dos avanços tecnológicos mais relevantes deste mercado incluem a automatização de backoffice, adoção de plataformas de análise de dados, conexões via APIs e o uso de blockchain e outras tecnologias para garantir transparência e a imutabilidade dos dados financeiros.

“Com a evolução constante da tecnologia, o mercado de embedded finance tende a se expandir ainda mais, possibilitando modelos de negócio inovadores e ampliando o acesso ao crédito em toda a cadeia de valor”, afirma Israel Malheiros.

Segundo estimativas da McKinsey, até 2030 na Europa, os veículos de finanças integradas deverão responder por 20% a 25% dos empréstimos de varejo e para PMEs, comparado com 5% a 10% em meados do primeiro semestre de 2024. E em 2030, o mercado de embedded finance deverá superar €100 bilhões e responder por 10% a 15% dos pools de receitas bancárias.