Mercado pet permanece atraente e deve passar por consolidação

Faturamento em alta, aportes de investidores estrangeiros e planos de abertura de capital nos próximos meses. O desempenho positivo do mercado pet impressiona em meio às dificuldades enfrentadas pela economia brasileira no ano de 2020.
Nos últimos meses, a plataforma de e-commerce Petlove, por exemplo, recebeu aportes que somam R$ 375 milhões do japonês Softbank e da gestora americana de private equity L. Catterton.

E, de olho nas concorrentes menores, as líderes do varejo buscam captar recursos para manterem-se em expansão – a oferta inicial de ações da Petz pode movimentar até R$ 3,4 bilhões neste mês. O interesse dos investidores pelo setor não muda com as condições globais adversas, diz Felipe Camargo, sócio-fundador da Setter Investimentos. Para ele, o cenário atual proporciona um incentivo à consolidação do setor.

“Ainda há muito espaço para expansão. É um mercado que registra crescimento mesmo em época de desemprego alto, PIB em baixa e pandemia. Quando houver recuperação econômica, vai crescer ainda mais”, afirma. Em 2019, de acordo com dados do Instituto Pet Brasil, o faturamento do setor (indústria, serviços e venda de animais) somou R$ 35,4 bilhões, crescimento de 3% em relação ao ano anterior.

Hoje, o país tem cerca de 141,6 milhões de animais de estimação – entre eles, 55,1 milhões de cães e 24,7 milhões de gatos. As cifras posicionam o mercado brasileiro entre os quatro maiores do mundo. Considerando os resultados do ano passado, o país fica atrás apenas de Estados Unidos (40,1%) e China (7,2%), e praticamente empatado com Reino Unido (4,73%). Apesar de seu tamanho e potencial, o setor permanece pouco concentrado – no varejo, os dois principais players, Petz e Cobasi, não chegam, juntos, a 10% de market share. Com isso, as oportunidades de consolidação se multiplicam.

Para Felipe Camargo, da Setter, a próxima onda de movimentações deve acontecer no segmento de pet care (acessórios, roupas, brinquedos, equipamentos e produtos de higiene), hoje responsável por 5,2% do faturamento do setor. Segundo o Instituto Pet Brasil, a compra desses produtos cresceu no primeiro trimestre de 2020, já afetado pela pandemia da Covid-19. O aumento de janeiro a março foi de 6,9%. “Esse é um segmento que se mantém altamente fragmentado e possui rentabilidade bastante elevada”, afirma.

“Por isso, o que devemos ver é um movimento de fusão entre empresas de médio porte, que se juntam para crescer, ou de investimentos nessas companhias – neste caso, para que comprem concorrentes ou cresçam organicamente”. A atenção dos investidores já começa a se voltar para o pet care: em julho, a marca de acessórios premium Zee Dog anunciou ter recebido um aporte de R$ 100 milhões da gestora brasileira Treecorp. “As empresas de pet care se beneficiam da compra por impulso de um brinquedo, ou uma roupinha, para o animal – e esses acessórios têm alto valor agregado.

Além disso, com o câmbio em alta, as empresas brasileiras ficam muito competitivas para exportar para o mundo inteiro – mais um benefício para quem investiu em capacidade industrial”, diz Camargo. Fonte e mais informações: (www.setterinvestimentos.com.br).

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