616 views 4 mins

Dolarizar o patrimônio transforma incertezas locais em oportunidades globais

em Mercado
sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Pedro Persichetti (*)

A dolarização de investimentos brasileiros não é mais uma tendência, mas uma realidade que tem ganhado força entre os investidores de todos os portes. Em busca de proteção e aumento patrimonial em um ambiente econômico mais estável que o brasileiro, o número de cidadãos com ativos financeiros no exterior aumentou 33% entre 2020 e 2024. É o que revela o Banco Central.

Como exemplo prático, quem já viajou aos Estados Unidos nos últimos anos sabe que acompanhar a variação do câmbio é essencial para evitar surpresas na hora de comprar dólares. Isso porque o real é uma moeda de país emergente e tende a ser mais vulnerável à inflação e à instabilidade cambial, enquanto o dólar se mantém como moeda forte e de referência internacional. Pois essa é a lógica que fundamenta a estratégia de dolarização de investimentos.

Diversificar investimentos no estrangeiro, naturalmente, vai muito além de converter reais em dólares. Ela passa pela montagem estruturada de posições que proporcionam proteção e crescimento ao investidor, como, por exemplo, a abertura de contas bancárias em dólar no exterior ou no próprio país, quando permitido, além investimentos em ativos denominados em dólar como títulos do tesouro americano, ações de empresas listadas em bolsas estrangeiras e ETFs globais.

Essa estratégia permite, basicamente, investir em oportunidades que simplesmente não existem no Brasil.

É o caso de ações de empresas como Apple, Google, Microsoft ou Tesla, fundos imobiliários internacionais, ETFs que replicam índices globais ou até a compra de um imóvel para aluguel em destinos turísticos. Ter esse leque à disposição significa diversificar não só a moeda, mas também os mercados.

De modo geral, a grande vantagem da dolarização para os investidores nacionais é proteger o patrimônio ou parte dele contra a desvalorização do real. É fato que ativos denominados em dólar tendem a preservar seu valor e não ficam expostos à instabilidade inflacionária ou às crises cambiais da economia brasileira. Dolarizando parte do patrimônio, essa dependência acaba ficando diluída.

Mas, se as vantagens são grandes, os desafios também são consideráveis. Erros comuns incluem tentar prever o câmbio, dolarizar 100% do patrimônio ou não diversificar adequadamente os investimentos dolarizados.

É necessário que se entenda que uma abordagem equilibrada sempre é recomendada, como a de manter uma parte do patrimônio em ativos denominados em dólar, mas sem comprometer a liquidez necessária para despesas diárias ou emergências.

Para isso, um bom planejamento financeiro é essencial para potencializar os ganhos. O fato é que dolarizar o patrimônio é uma estratégia eficaz para proteger e aumentar o capital em um ambiente econômico instável. Essa prática faz com que o investidor não apenas preserve seu poder de compra, mas também amplie as oportunidades de crescimento e segurança financeira.

Importante destacar que dolarizar investimentos não significa abandonar o real, mas equilibrar o patrimônio para que ele esteja protegido e, ao mesmo tempo, conectado ao resto do mundo. Da mesma forma que ninguém viaja levando apenas uma roupa na mala, também não faz sentido planejar o futuro financeiro com apenas uma moeda no bolso.

(*) Sócio fundador, VP e CSO da Sail Capital