Para ex-ministro, é uma vergonha Brasil ser 2º maior produtor de etanol

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Ex-ministro das Minas e Energia, Shigeaki Ueki.

Ribeirão Preto – Responsável no governo, em 1975, por encampar a criação do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), o ex-ministro das Minas e Energia e ex-presidente da Petrobras, Shigeaki Ueki, disse estar convencido que o Brasil retomará o posto de maior produtor de etanol do mundo, perdido no passado recente para os Estados Unidos. “É uma vergonha o Brasil ser segundo produtor do mundo. Os Estados Unidos ultrapassaram com o etanol milho, uma autofagia energética”, disse ele, se referindo ao fato de o etanol de milho consumir a mesma energia para ser produzido do que a gerada pelo combustível.
“Estou convencido que os biocombustíveis como fonte de energia seguirão importantes para o Brasil, a produção irá crescer e, em algum momento nos próximos 40 anos, vamos reconquistar a posição de maior produtor de etanol”, afirmou Ueki. O ex-ministro lembra que, antes do Proálcool, com a importância da produção e exportação do açúcar, o etanol era tratado como um subproduto da commodity. À época, lembra ele, o álcool, produzido a partir do melaço da cana, era utilizado como substituto do chumbo tetraetila – produto altamente tóxico e importado – para aumentar a octanagem da gasolina.
Para ele, além da demanda gerada com a mistura mandatória do anidro à gasolina e do uso do etanol hidratado nos tanques, a flexibilidade de se produzir o combustível ou o açúcar na maioria das usinas ajudou a fomentar o setor e também na economia de divisas ao País com a menor importação de petróleo. “O importante na política energética, além da segurança de suprimentos garantida pelo etanol, é a economia de divisas. Energia é um insumo importante cuja falta faz a economia parar “
Ueki avaliou também que o etanol de segunda geração (2G), produzido a partir da biomassa – bagaço ou palha -, será uma realidade no futuro, mas a produtividade das usinas crescerá ainda com o avanço da bioengenharia nos processos de fermentação para a produção do etanol tradicional. “Isso vai contribuir muito para produção de biocombustíveis líquidos de vários materiais orgânicos e não só a cana”, disse, “Mas, por mais que haja o progresso na ciência, ainda será preciso biomassa e, com uma boa política, o Brasil pode multiplicar até quatro vezes a produção do etanol” (AE).

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