Ministro do STF diz que pessoas têm vergonha em aplicar a lei no Brasil

Roney Domingos/G1
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Ministro do STF Teori Zavascki participa de evento com advogados em São Paulo.

São Paulo – O ministro do STF, Teori Zavascki, disse ontem (24), que “lamentavelmente” as pessoas que obedecem as leis são, algumas vezes, taxadas pejorativamente no Brasil. “Em muitos casos, as pessoas têm vergonha em aplicar a lei. Acho isso uma coisa um pouco lamentável, para não dizer muito lamentável”, afirmou o ministro em palestra na Associação dos Advogados de São Paulo (AASP). Ele disse que decisões sem o glamour da Lava Jato, operação na qual ele é relator dos processos na Corte, muitas vezes mereceram pouca atenção da mídia.
“Essa ideia de que somos um povo muito alegre e sempre damos um jeitinho nas coisas – isso, no fundo, facilita a desobediência e desautoriza o sistema”, comentou Zavascki, acrescentando que o padrão civilizatório de uma sociedade se mede pela capacidade de observar as normas naturalmente. Embora veja no dispositivo excessos que precisam ser corrigidos por legisladores, Zavascki relativizou os benefícios do foro privilegiado, norma pela qual certos políticos e agentes públicos só podem ser julgados por determina Corte.
“A vantagem de ser julgado pelo Supremo é relativa. Ser julgado pelo Supremo significa ser julgado por instância única”, afirmou o ministro, acrescentando que processos em primeira instância permitem recursos à segunda instância e ao STJ, além do próprio Supremo.
O ministro também criticou o excesso de recursos que gera acúmulo de processos à espera de julgamento no STF. “Vamos completar um século de acúmulo de processos no Supremo”, disse. “Precisaríamos de uns 200 ministros”, acrescentou. Zavascki reconheceu ter desistido de pensar em uma solução para o problema que tira velocidade do Judiciá­rio e defendeu uma redução na “competência enorme” do Supremo (AE).

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