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Mercado PET deve movimentar R$ 82 BI neste ano

em Manchete Principal
quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Alimentação responde por 50% do total 

Redação

Os números assemelham-se ao apetite de um leão, crescem na velocidade do guepardo e, cada vez mais, mostram-se encantadores como gatinhos recém-nascidos. Este é retrato do mercado PET no Brasil, que neste ano deve faturar R$ 82 bilhões. São, aproximadamente, 160 milhões de animais de estimação no país, consumindo alimentação própria, alojamento, serviços veterinários e cuidados específicos. Os felinos, que antes eram apenas um “nicho” neste mercado, hoje já somam 30 milhões e estão crescendo em participação. De olhos bem abertos nesse negócio aconteceu a PET+ VET EXPO, reunindo congresso e exposição de mais de 350 marcas, entre os dias 12 e 14 deste mês, no Distrito Anhembi, em São Paulo, tornando-se o encontro mais substancial da América Latina no setor veterinário e mercado PET.

Em 2019 foram cerca de 5.000 interessados em ver o que o mercado PET tinha de novidades, na estreia do evento. Ano passado esse número triplicou, chegando a 16.300 e neste 2026 a organização espera fechar com mais de 30 mil visitantes, entre exposição e congresso, que aconteceram simultaneamente nos Pavilhões 1 e 2 do Anhembi. Mas não pense que é somente os brasileiros que se derramam pelos seus bichinhos, que têm nome, carteira de vacinação, psicólogos, álbum de fotografias e direito a companhia em viagens, camas confortáveis, quando não o próprio leito dos tutores.

Peru, Argentina, Bolívia, China, Paraguai, Costa Rica, Chile, Uruguai, Estados Unidos e Venezuela (nesta ordem de tamanho e representação) marcaram presença na PET+ VET EXPO 2026, com estandes, palestras e movimentação de negócios. E isto não é uma mera casualidade. É o business do mercado (que tem os Estados Unidos na liderança, a China como vice e o Brasil em terceiro lugar no pódio) cada vez mais globalizado e conectado com novas tecnologias. Só para se ter ideia, metade do faturamento (no caso do Brasil, R$ 41 bilhões projetados neste ano pela Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação — Abempet) provém dos produtos alimentícios e apenas 10% são de serviços veterinários.       

Novo olhar

O mercado PET é dinâmico e por isso vale a pena prestar atenção em seus movimentos. Para Guilherme Martinez, diretor do portfólio PET da NürnbergMesse Brasil, organizadora do evento, a expansão do pavilhão chinês, por exemplo, representa uma mudança importante no perfil da feira. “A PET South America é o reflexo direto da evolução do setor. Hoje, muitos produtos e tecnologias utilizados no Brasil têm origem ou passam pela China. Reunir essas empresas em um único espaço facilita o contato entre fabricantes e compradores, e cria oportunidades que dificilmente aconteceriam fora de um evento como esse”.

A presença recorde dessas empresas também foi vista como estratégica pelos próprios expositores. Participando da PET South America pelo segundo ano consecutivo, a Shandong Huiji Pet Food acredita que a feira é uma porta de entrada para ampliar sua atuação na América Latina e estreitar o relacionamento com compradores brasileiros. “Já no primeiro dia percebemos um movimento maior do que na edição passada, e isso nos deixou muito animados”, diz a vendedora da empresa Wag Mengyu, afirmando que trabalha “com produtos white label para cada cliente”.

Importação

Para formular produtos no Brasil é necessário importar princípios ativos, seja para uso medicamentoso, seja para produção de cosméticos, como é o caso da Perigot, companhia criada em 2009. “Somos uma empresa familiar, que produz uma linha segura de produtos cosméticos, pensando especialmente em quem manipula animais todos os dias (no caso, os Pet Shops) e tem contato manual com diferentes produtos”, diz Luciano Hilário, em seu bem montado estande.

Aproveitando a oportunidade, a Perigot lançou a Linha Maré, desenvolvida a partir dos princípios da biotecnologia marinha e inspirada na força, no equilíbrio e na renovação proporcionados pelo oceano. Os novos produtos destacam o custo/benefício, acompanhando uma das principais tendências mundiais do segmento de higiene e estética PET: a busca por produtos com tecnologia, benefícios comprovados e foco na saúde preventiva da pele e da pelagem dos animais. Para este ano o faturamento esperado é entre R$ 24 e R$ 26 milhões, não só com cosméticos (que incluem até protetor solar), mas com camas apropriadas e produtos específicos para gatos. Além do mercado local, a empresa atende Peru, União Europeia e Estados Unidos.

Biodegradável

O foco sustentável / ambiental também chegou ao mercado PET. A Dona Chica Cat Care, marca do Grupo Amifec Alimentos, participou da Pet South America apresentando sua linha de areias higiênicas premium produzidas à base de mandioca e milho, oferecendo uma alternativa natural, sustentável e de alto desempenho para o mercado. Desenvolvida para proporcionar mais conforto aos gatos e praticidade aos tutores, a linha é 100% natural, biodegradável, livre de fragrâncias artificiais e de produtos químicos agressivos. Sua tecnologia garante rápida formação de torrões, controle de odores e alto rendimento, contribuindo para uma rotina de higiene mais eficiente, garante o fabricante. A marca oferece versões em grãos finos, indicadas para filhotes e gatos mais sensíveis, e grãos grossos, ideais para gatos adultos e ambientes com maior circulação, reduzindo o espalhamento dos grãos. 

Petiscos x malefícios

Sabe aquele bichinho “redondo”, que vai se transformando em algo parecido com uma almôndega? Então … o excesso de peso dos animais de estimação vai muito além da estética e já preocupa especialistas. Atualmente, mais de 40% deles apresentam sobrepeso ou obesidade. É o que revela estudo apresentado pela veterinária endocrinologista Marcia Jericó durante o Congresso PET VET ANMV.

Ela palestrou sobre o assunto no primeiro dia do evento, destacando que o risco de desenvolver diabetes é quatro vezes maior para os pets que permanecem obesos por mais tempo durante a vida. Solução? Mudanças de comportamento podem ser os primeiros indícios de que o excesso de peso está produzindo consequências. O animal pode ficar mais quieto, apresentar dificuldades de locomoção ou começar a mancar. Com a evolução do quadro, também podem surgir alterações respiratórias, como fôlego mais curto e respiração ruidosa. A especialista alerta ainda que, posteriormente, o cão pode desenvolver alterações de colesterol e triglicérides, gordura no fígado, problemas na vesícula e diabetes. Já os gatos têm mais facilidade de desenvolver diabetes. Para evitar o quadro, as principais dicas da veterinária são que os animais tenham gasto de energia e que seja ofertada comida saudável, com rações de boa qualidade na quantidade indicada pelo profissional que acompanha o pet ou no rótulo da embalagem. E o mais importante: o tutor não deve ceder aos pedidos do seu animal. “O petisco não pode ultrapassar 10% da ingestão diária de alimentos. Existem muitos cães e gatos que são insaciáveis e nessa hora é o tutor que precisa fechar os olhos, blindar o coração e não ceder”, enfatiza.

Na avaliação da especialista, os suplementos emagrecedores são saudáveis, desde que tomados em doses terapêuticas prescritas por um profissional. Mas alerta que eles não conseguem promover a saciedade e que o gasto metabólico prometido é inferior ao de uma atividade física. Já os medicamentos emagrecedores para animais, análogos de GLP-1 (tipo `mounjaro pet`), têm uma boa perspectiva, mas para o futuro. “Hoje, cães e gatos ainda reagem muito mal às doses estudadas e aos princípios ativos usados em humanos. Existe um longo caminho a percorrer. A gente vai ter isso como uma ferramenta, mas em que dose, com que frequência, qual modelo, ainda não sabemos. Agora, o risco é maior do que o benefício”, conclui.

5 vantagens de investir no mercado pet | Jornal Empresas & Negócios