Levy admite que dívida interna cresce ‘em velocidade desconfortável’

A questão do rebaixamento é reflexo da realidade, diz o ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
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São Paulo – O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou que, apesar de “todos estarem preocupados com o rating” soberano do País, o Brasil tem condições financeiras sólidas. “Nossa dívida externa de mercado é de US$ 28 bilhões, quase um quinze avos das nossas reservas internacionais”, ponderou. “Não há risco de o País não poder ou não querer pagar a dívida externa”, destacou.
O ministro fez uma referência à decisão da Moody’s, que colocou em revisão o rating do Brasil para emissão externa. “Tem que trabalhar e tentar voltar para a divisão a que você acha que pertence”, apontou. Antes, ao falar durante evento promovido pela Febraban, Levy destacou que “ao invés de discutirmos downgrade, temos que discutir upgrade, para sermos um país ‘A’.”
O ministro, contudo, manifestou que a dívida interna “está crescendo em velocidade desconfortável”, o que “aponta a importância de o País fazer reformas”, sobretudo de ordem fiscal “Para isso, precisamos de unidade, todos estarem pensando em primeiro lugar no Brasil”, disse. “É preciso união, entendimento e muito foco para fazer o que for necessário”. Ele apontou que há propostas fiscais no Congresso que “precisam ser votadas e decididas até o final do ano”, pois o “Brasil não pode esperar”.
Levy afirmou que em 2016 há dois pontos essenciais para as contas públicas relativos a mudanças na Previdência: “O primeiro deles é dizer qual será a reforma da Previdência”, destacou. “O outro é definir a fonte de receita para se chegar à estabilidade fiscal”. De acordo com Levy, as dificuldades atuais que o País enfrenta “são mais profundas, de cunho político”. Ele destacou que “2015 foi ano atípico, e tem se tornado cada vez mais atípico”.
O ministro da Fazenda destacou que o Tesouro Nacional registrou um superávit de R$ 48 bilhões neste ano, mas como o saldo negativo da Previdência Social é de R$ 80 bilhões, isso significou “um déficit no total”. Ressaltou que a proposta do governo para a reforma do PIS/Cofins é neutra do ponto de vista de carga tributária, mas ela terá a capacidade de simplificar procedimentos relativos a pagamento de impostos por empresas, o que tornará a economia mais eficiente e competitiva. “A proposta pode agregar 0,5 ponto porcentual ao PIB”, destacou.
Na área de impostos, o ministro destacou que a “progressividade tributária é importante” e que o País está evoluindo da relevante “modicidade tarifária para a modicidade de subsídios”. “Estamos fazendo esforço para colocar contas do BNDES em ordem”, apontou o ministro. Ele destacou que as reformas feitas no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e na dívida ativa da União “fortalecem o fiscal, sem alta de imposto”. De acordo com Levy, entre os próximos passos estruturais para o Brasil está a continuidade do desenvolvimento do mercado de capitais, inclusive com “reformas de mecanismos de financiamento da economia” (AE).

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