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Empresas fazem parceria pelo biometano

em Manchete Principal
segunda-feira, 18 de agosto de 2025

O combustível, renovável, emite 95% menos de gases do efeito estufa

Redação

A transição energética nos transportes já começou. Em parceria com a Ultragaz, a Jomed Transportes & Logística saiu na frente, inaugurando o primeiro Posto de Abastecimento dentro de suas instalações para operar com biometano. Gás proveniente da queima do lixo, reduz em 95% a emissão de gases do efeito estufa (GEE), dando assim um passo significativo para a descarbonização. No primeiro ano do projeto, 19 caminhões fabricados pela Scania estão sendo abastecidos em Guarulhos, na Grande São Paulo.  

Com uma frota de 300 caminhões (de um total de 500 ativos, inclusos os implementos e carrocerias), a transportadora é pioneira no uso do GNV (gás natural veicular), desde 2019, destaca Sidney Alves, o diretor financeiro. “Na época conversamos com a Scania e adquirimos caminhões a gás”, lembra ele, acrescentando que uma vez mais a parceria avança, agora com o biometano da Ultragaz.

A Jomed, com 37 anos de existência e capital 100% nacional, tem sede no Distrito Industrial de Guarulhos/SP e filial no estado do Espírito Santo. O faturamento é de R$ 500 milhões e tem um quadro de 455 colaboradores. Segurança é um capítulo à parte, pois o investimento no setor é levado bem a sério. Para se ter ideia, até as áreas mais acessadas pelo crime organizado são vigiadas, monitoradas permanentemente e, claro, evitadas.

“Podemos ser exemplo para outros embarcadores, com o primeiro Posto de Abastecimento dentro de casa”, diz, orgulhoso, Carlos Ferreira, head de Sustentabilidade da Jomed. A empresa, que produz relatório de sustentabilidade e tem política consolidada na área, é signatária do Pacto Global da ONU e trabalha com o compromisso Net Zero, estabelecido pela Organização das Nações Unidas. Internamente se faz a captação de água de chuva, utilizada na lavagem dos caminhões (como água de reúso), por exemplo, painéis solares e ações sociais diversas.       

RAPIDEZ

Além de reduzir drasticamente a emissão de gases (em 95%, a partir do tratamento de gases produzidos pelo aterro sanitário de Caieiras, o terceiro maior do mundo, a 33 km da Capital) o posto dá uma outra vantagem: tempo de 14 minutos para recarga de 280 m3 de gás, em 10 cilindros. Em área externa (existem 25 postos no país, na parceria com a Ultragaz) esse tempo sobe para 50 minutos.

“Precisamos inovar e é exatamente o que estamos fazendo, uma vez mais”, destaca Carlos Ferreira, ao comentar o Escopo 3 da Sustentabilidade (emissões indiretas de gases que ocorrem na cadeia de valor): “Reduzidas as nossas emissões diretas, vamos levar a ideia do biometano para outros embarcadores que trabalham com a gente”.     

AUTONOMIA

O caminhão carregado com 280 m3 tem autonomia de 650 a 700 km. A Jomed e a Ultragaz estabeleceram pontos estratégico em uma rota especial de transporte de carga. Como a cobertura ainda não é suficiente para cobrir o Brasil, o motorista aciona o GNV para prosseguir até um ponto de abastecimento, se necessário. O gás natural tem redução de emissão de GEE entre 15% e 18%. É menos poluente que o diesel, mas tem origem fóssil, o que não acontece com o biometano, que reduz emissões em 95% — reitere-se.

Em dois meses de operação (até este anúncio oficial, da semana passada), já deixaram de ser emitidas 1,4 milhão de toneladas de CO2 na atmosfera, somente pela Jomed. Imagine o quanto se economizará o ar à medida em que outras transportadoras venham a ter semelhante atitude, já que o custo do biometano é semelhante ao do GNV, e também ao do diesel (que por derivar do petróleo tem preço internacional) ? 

FONTES  

Nos anos 1930, o Brasil cozinhava a lenha. O austríaco Ernesto Igel, que já estava no país há uma década, teve a ideia de copiar o modelo europeu e criou a Empresas Brasileira de Gás a Domicílio, posteriormente Utragaz. Esta foi a primeira transição energética, da lenha para o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP). Quase 100 anos depois chegamos ao biometano, gás renovável que marca outro grande passo no aspecto sustentabilidade. 

Empresa do Grupo Ultra (listada na Bolsa de Valores, sob o ticker UGPA3), com valor de mercado acima de R$ 30 bilhões, operando 11 milhões de botijões, com 86 milhões de entregas/ano em suas mais de 6 mil revendas, a Ultragaz é uma companhia moderna, aplicando seu portfólio de produtos constantemente. 

Atualmente, o Brasil tem 40% de sua frota leve (automóveis, motos e picapes) usando energia limpa e a frota pesada (ônibus e caminhões) ainda operando 86% no diesel. E é neste último segmento em especial que a Ultragaz está de olho. “O Brasil é, de fato, o país do biometano, pois além da produção iniciada o faz de maneira pulverizada, com fontes diversas e locais idem. Não concentra em uma única fonte ou localidade”, observa Erik Trench, diretor de Gases Renováveis da Ultragaz.      

Erick Trench, da Ultragaz, explicou carregamento e funcionamento do Posto

Existem basicamente três fontes para a produção do biometano: resíduos sólidos de aterros sanitários; do setor sucroalcooleiro e da pecuária. No caso da parceria com a Jomed, é utilizado o gás de aterro, adquirido a partir da biodigestão de resíduos. Este processo gera o biogás, que é separado das moléculas de CO2 e de nitrogênio. Feito isso, no próprio aterro, o gás é injetado na carreta de transporte, de 6.000 m3 ou 12.000 m3 (variando conforme o tamanho do veículo disponibilizado), e devidamente lacrado e liberado. Com isto, a carreta dirige-se ao Posto de Abastecimento de Guarulhos para carregar o sistema local. O lacre, explica Trench, é importante para o comprador do biometano e também para que não haja “greenwshing” no aspecto sustentabilidade, evitando que haja hipoteticamente o carregamento da carreta uma vez e se dizer que o fez por duas ou três vezes…    

VEÍCULOS

Ivanovik Marx e Daniel Bandeira, da Scania, falaram sobre legislação e desenvolvimento dos produtos da montadora sueca, que opera em São Bernardo do Campo/SP, no Brasil, e das parcerias, destacando esta com a Jomed. Para servir ao Projeto do Biometano, existem cavalos mecânicos de 420 cv e de 460 cv, com caixa de câmbio ajustada (para trocas mais rápidas) a fim de que o motor tenha mais torque e eficiência, sendo ágil e econômico.     

A fim de colaborar com esta transição, a Scania facilita o financiamento de pesados – com vantagens superiores em relação ao motor diesel – e projeta vender 2 mil unidades até dezembro.   

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