Disputa comercial entre China e EUA pode ajudar o Brasil, diz secretário

Navio carregado com conteineres no porto de Long Beach rumo à China, imagem que pode mudar.
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O secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Marcello Estevão, disse ontem (9) que a disputa comercial entre os Estados Unidos e a China poderá beneficiar o Brasil, e por extensão, o Mercosul. No seminário ‘Mercosul e os Fluxos de Comércio’, na Fundação Getulio Vargas (FGV), Estevão disse que a disputa comercial entre duas das maiores economias do mundo, pelo menos até o momento está sendo positiva para o Brasil.
“É claro que uma guerra comercial entre duas economias do tamanho da americana e da chinesa não é bom para ninguém e todos têm a perder. Mas, pontualmente, o que eu tenho visto, é que ela está nos ajudando. Na questão da soja, por exemplo, a decisão da China de impor tarifa sobre a exportação do produto dos Estados Unidos ajuda os produtores de soja do Brasil”, disse.
Para ele, o clima ruim em um ambiente de relações comerciais internacionais não pode ser bom para ninguém. “Você está em uma situação como a daquele cidadão que está passando na rua e leva uma bala perdida. Era o caso do aço, por exemplo, onde quase acabamos por levar uma bala perdida. É verdade que conseguimos uma exceção, mas e se não conseguíssemos?”.
Na avaliação do secretário, “se realmente a China fizer um boicote ou aumentar a tarifa para bens de commodities que os Estados Unidos exportam muito, o Brasil se beneficiará porque é um país exportador de commoditie”. Alertou, no entanto, que “amanhã o tema também pode ser outro”. A disputa entre a China e os Estados Unidos ajuda o Brasil porque os países que querem fazer acordos e ampliar as relações comerciais vão fazê-lo com o Brasil e com o Mercosul.
O ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse ontem (9), no mesmo seminário, que o país poderá gerar este ano cerca de 2,5 milhões de empregos e consolidar a recuperação de sua economia. Para isso, no entanto, o Brasil precisa manter o rumo e promover as reformas necessárias. “Acredito que o próximo presidente possa consolidar uma trajetória de crescimento do Brasil a taxas superiores a 3,5% ou até a 4% nos próximos anos”, concluiu (ABr).

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