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A Copa pode expor o pior momento da operação de empresas despreparadas

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terça-feira, 23 de junho de 2026

Lentidão, indisponibilidade e falhas digitais em picos de demanda podem comprometer receita e afastar clientes

Na Copa de 2026, o problema pode não ser a falta de clientes, mas a incapacidade de atendê-los. A alta demanda esperada durante o torneio pode testar o limite operacional de empresas despreparadas, transformando uma oportunidade comercial em sistemas fora do ar, lentidão, vendas interrompidas e prejuízos imediatos. Em operações digitais, poucos minutos de indisponibilidade podem custar caro.

Igor Moura, COO da Under Protection, empresa especializada em cibersegurança e continuidade operacional, afirma que o erro mais comum está em tratar picos de demanda apenas como desafio de infraestrutura. Para ele, a pressão sobre a operação expõe vulnerabilidades que muitas vezes passam despercebidas na rotina. “Quando a empresa concentra esforços apenas em suportar mais acessos, mas não revisa processos críticos, monitoramento e capacidade de resposta, o risco deixa de ser técnico e passa a ser operacional e financeiro.”

O alerta ganha relevância diante dos dados do 2025 Data Breach Investigations Report, da Verizon, que apontam aumento de 34% na exploração de vulnerabilidades e participação de terceiros em 30% das violações registradas globalmente, indicando que momentos de pressão operacional também ampliam superfícies de risco.

A operação cai justamente quando deveria vender mais
Grandes eventos esportivos costumam elevar simultaneamente o volume de acessos, compras, autenticações, consultas e transações digitais. Para empresas dos setores de varejo, meios de pagamento, delivery, entretenimento, streaming e serviços digitais, esse aumento pode pressionar infraestruturas que já operam próximas do limite.

Segundo Moura, o problema costuma aparecer quando a empresa se prepara para vender mais, mas não testa se a operação suporta pressão real. “O erro está em acreditar que ampliar capacidade resolve tudo. As operações caem por processos frágeis, monitoramento insuficiente, contingência mal validada e respostas lentas diante de incidentes. Em momentos de pico, minutos de decisão errada custam receita, reputação e continuidade.”

Na avaliação do executivo, a indisponibilidade digital durante períodos estratégicos tem efeito imediato sobre caixa e reputação. “Quando a operação falha no momento de maior demanda, a empresa não perde apenas uma venda, entrega aquele cliente para a concorrência. No digital, a troca acontece em segundos, sem aviso, e recuperar esse consumidor depois custa muito mais caro.”

Sob pressão, o ataque custa mais caro
Além da sobrecarga operacional, períodos de alta demanda costumam se tornar mais atrativos para criminosos digitais. Com equipes focadas em sustentar a operação e menor margem para resposta, qualquer incidente tende a gerar impacto ampliado.

“Criminosos sabem identificar momentos em que a empresa está mais vulnerável. Se já existe pressão interna por estabilidade e continuidade, um ataque ou falha naquele instante se torna muito mais sensível financeiramente. O custo da interrupção cresce porque a tolerância ao tempo parado praticamente desaparece.”

Segundo o especialista, não se trata apenas de evitar ataques sofisticados, mas de reduzir a exposição em toda a operação.

Para reduzir riscos em momentos de pico, o especialista em cibersegurança recomenda algumas medidas práticas:

  1. Testar se o site e os sistemas realmente suportam um pico simultâneo de acessos.
  2. Corrigir falhas conhecidas e atualizar ambientes que possam virar porta de entrada para incidentes.
  3. Reforçar o monitoramento para identificar lentidão, instabilidade ou tentativas de ataque em tempo real.
  4. Validar backups e garantir um plano claro para manter a operação caso algo saia do controle.
  5. Definir quem decide e como a equipe deve agir caso a operação apresente falhas.

“Empresas ainda podem corrigir falhas, mas precisam agir rápido. A Copa é um evento previsível. O erro está em tratar um pico esperado como se fosse uma surpresa operacional. Empresas que ignoram essa preparação podem descobrir tarde que o maior problema não era atrair clientes, mas conseguir atendê-los.”

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