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O poder da fotografia na era da inteligência artificial

em Especial
sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Luiz Fernando Pereira dos Santos (*)

Há anos acompanho sessões de fotografia de alimentos. Já vi de perto todo o processo que envolve preparação do produto, composição, iluminação, direção de arte, fotografia, tratamento e finalização até chegar à imagem que será apresentada ao consumidor.

Muita coisa mudou nesse período. As câmeras evoluíram, os equipamentos ficaram mais acessíveis, a informação se tornou abundante e, mais recentemente, a Inteligência Artificial acelerou um processo que antes exigia horas — e, em alguns casos, dias — de trabalho.

Hoje, em poucos minutos, conseguimos criar uma imagem de um hambúrguer, pão, bolo ou qualquer alimento.

Mas surgiu um problema: quanto mais imagens conseguimos criar, mais imagens parecidas começamos a ver.

Eu costumo chamar muitas delas de “imagens plastificadas”. O alimento parece perfeito demais. A cobertura escorre no lugar certo, o brilho é impecável e a textura parece calculada. A imagem pode ser bonita, mas algo denuncia que aquele produto não estava realmente ali.

A fotografia parte de outra lógica. Existe um produto real diante da câmera. Sua textura, suas imperfeições, seu volume, sua cor e suas características são registrados na imagem.

Já a IA precisa reconstruir visualmente aquilo que pedimos a partir das informações e referências que fornecemos. E é justamente aqui que a experiência de quem entende de fotografia, direção de arte e produto continua fazendo diferença.

Costumamos falar muito sobre prompt, que é a instrução dada à Inteligência Artificial. Mas gosto de explicar de uma forma mais simples:

A IA pode ser extremamente competente. Mas ela precisa de um bom pedinte. E esse pedinte é você.

Nas imagens que acompanham este artigo, podemos perceber isso na prática.

Na primeira imagem, o bolo foi criado apenas a partir de um comando de texto. O resultado é atraente, mas a IA criou sua própria interpretação. Definiu formato, textura, prato, iluminação e cenário sem conhecer o produto real.

Na segunda imagem, vemos a fotografia original do bolo. Ela registra características que fazem parte da identidade daquele produto, seu formato, proporções, textura da massa, cobertura, raspas de limão e prato.

Na terceira a fotografia real foi usada como referência para criar uma ambientação: uma mesa de ceia de Natal com toalha vermelha, iluminação quente e elementos da data.

O cenário mudou completamente. Mas o bolo continua reconhecível.
Essa é a grande oportunidade. Com uma boa fotografia de referência, é possível mudar a mesa, o fundo, a iluminação, acrescentar elementos à composição e criar campanhas para diferentes períodos do ano, sem perder totalmente a identidade do produto.

É aí que fotografia e Inteligência Artificial deixam de ser concorrentes. Elas começam a trabalhar juntas.

A fotografia entrega a referência da realidade. A Inteligência Artificial amplia as possibilidades de criação.

E entre uma coisa e outra ainda existe alguém que precisa olhar para aquela imagem e decidir:

“Isso realmente representa o produto que quero vender?”
Essa pergunta é importante para padarias, restaurantes, confeitarias, indústrias e qualquer negócio que utiliza imagens para atrair clientes.

Não basta criar uma imagem bonita. Ela precisa representar o que será entregue ao consumidor.

Você pode fotografar o lanche, o bolo, o pão ou a bebida com o próprio celular e usar essa imagem como referência. Claro que quanto melhor for a fotografia original, melhores serão as informações visuais disponíveis para o processo. É por isso que a fotografia profissional não perde seu valor.

Ela ganha uma nova função pois a tecnologia mudou.

O olhar ainda precisa ser treinado.