Mais de 60% dos brasileiros usam meios digitais para pagamentos

Mais de 60% dos brasileiros usam meios digitais para pagamentos

Seis em cada dez brasileiros das classes A, B e C utilizam meios digitais de pagamentos, como aplicativos próprios – PayPal, PagSeguro e Google Pay -, canais de pagamento de contas, compras e transação pela Internet


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Foto: Sindicato dos Comerciários de São Paulo

Jonas Valente/Agência Brasil

A informação está no estudo sobre mudanças nos hábitos de consumo de serviços financeiros diante das novas tecnologias elaborado pela empresa IDC que entrevistou mais de mil pessoas, de classes média e alta, em três dos maiores países da América Latina: Brasil, Colômbia e México.

O resultado do levantamento apresentado em Nova Iorque ainda apontou que, apenas no Brasil, 61% dos entrevistados responderam recorrer a meios digitais de pagamento ou “carteiras digitais”. No México, o resultado foi semelhante (62%) e, na Colômbia, pouco mais da metade das pessoas ouvidas afirmaram utilizar esses recursos (52%).

A adesão foi menor em relação as chamadas fintech, empresas que oferem serviços bancários ou financeiros de instituições sem locais físicos. Entre os ouvidos, 56% manifestaram adotar esse tipo de meio de pagamento no Brasil, contra 34% no México e 30% na Colômbia.

“As pessoas estão movendo de uso tradicional de dinheiro e cartão para pagamentos digitais. Uma coisa chave é confiança. Nós usávamos dinheiro porque era lastreado em ouro. Outra é o crescimento do ecossistema de fintech porque estão criando soluções que permitem transações mais rápidas, convenientes”, analisa Ricardo Villate, presidente do IDC para a América Latina.

Interações e abertura de contas
Os brasileiros são os que mais utilizam smartphones para realizar atividades financeiras, segundo o estudo. A prática é adotada por 14% dos entrevistados ouvidos no México e 11,4%, na Colômbia. No país, a maioria dos entrevistados afirmou realizar atividades bancárias principalmente por meio de um telefone celular conectado, seguida por saques em caixas em bancos (15,9%), transações utilizando um computador pessoal (14,4%), atendimento na agência (12,9%) e saques em caixas eletrônicos em outros locais (10%).

Outro destaque entre os entrevistados brasileiros em relação aos de outros países foi a abertura de contas por meio de dispositivos móveis conectados a internet: 65% contra 52% no México e 48% na Colômbia.

 

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O crescimento do uso de meios digitais para operações financeiras também é registrado por outros estudos. Foto: ABr/EBC

Em contrapartida, cada vez menos pessoas se dirigem a uma agência bancária no Brasil para realizar operações.

De acordo com a pesquisa, 58% dos consultados relataram frequentar essas unidades, enquando na Colômia e no México a adesão ainda é superior à metade dos entrevistados, 64% e 65%, respectivamente.

“Os brasileiros são altamente conectados e isso tende a popularizar o uso de carteiras digitais. Além disso, demonstram uma vontade de se atualizar tecnologicamente. O país tem um mercado com altíssimo potencial, com muitos usuários e é um dos mais competitivos da região. Isto gera uma oferta de melhores serviços”, analisa Paula Paschoal, diretora-geral da PayPal no Brasil.

Cartões
O Brasil também lidera o uso de cartões de crédito. Do total, 57% relataram usar este meio com mais frequência do que o débito. O índice foi de 38% no México e 28% na Colômbia. Quase 74% dos brasileiros disseram ter cartões tanto de crédito quanto de débito.

Estudo
O estudo intitulado “Como fintechs e bancos podem democratizar os serviços financeiros na América Latina” examinou as mudanças nos hábitos relacionados a serviços financeiros a partir da adoção de novas tecnologias, especialmente o uso de dispositivos móveis e plataformas na Internet.

Foram ouvidas pouco mais de mil pessoas nos três países, sobre recursos preferenciais para pagamentos digitais, operações bancárias via Internet, compras por canais online e empréstimos a consumidores e comerciantes por plataformas conectadas à web.

Outras fontes
Os hábitos de uso de tecnologias também também são analisados em outros levantamentos. A Pesquisa de Tecnologia Bancária 2019 da Federação Brasileira de Bancos, elaborada pela consultoria Deloitte, apontou também crescimento de atividades financeiras pela Internet, a partir de informações de bancos brasileiros.

Segundo este último levantamento, o número de pessoas que usam aplicativos do celular para realizar serviços bancários triplicou entre os anos de entre 2014 e 2018, passando de 25 milhões (16% do total) para 70 milhões (45%). Já os que utilizam acesso pela Internet para o mesmo fim passaram de 31 milhões (20%) para 53 milhões (34%) no mesmo período.

Em 2018, 2,5 milhões de contas foram abertas por meio de telefones celulares, o que representa crescimento de 56% em relação ao ano anterior (1,6 milhão de contas). As contas bancárias criadas por Internet banking passaram de 26 mil para 434 mil no mesmo período.

O modo startup de compreender o comportamento dos consumidores

Marcelo Barcia (*)

As pesquisas de mercado são instrumentos imprescindíveis que as organizações utilizam desde da era pós-fordista para compreensão das inúmeras variáveis que podem compreender o comportamento dos consumidores, independente do segmento de atuação.

Com o advento da informática, especialmente à partir dos anos 70 e 80, a capacidade de processamento de informações (ou dados) foi extremamente potencializada, favorecendo muito a metodologia quantitativa de pesquisa de mercado.

 

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Com o advento da informática, especialmente à partir dos anos 70 e 80, a capacidade de processamento de informações (ou dados) foi extremamente potencializada. Foto: StartSe

A partir da chegada da internet, globalização de mercados e fragmentação de diversas mídias, o comportamento dos consumidores ficaram mais complexos e marcados por subjetividade, Neste cenário, as abordagens de pesquisas qualitativas, como o famoso Focus Group ( painel de consumidores, ganham espaço e preferência de organizações e institutos de pesquisas para avaliar variáveis cada vez mais subjetivas, que exigem maior profundidade para verificação.

Hoje, quando a chamada “cultura startup” não é apenas um agrupamento de conceitos de gestão exclusivos de jovens empreendedores de tecnologia da informação, a forma de avaliar o conhecimento do consumidor também ganha algumas perspectivas novas com este fenômeno.

A preocupação central de startups para encontrar um modelo de negócios viável, visando sempre a almejada escalabilidade, quase um “mantra” neste universo de potenciais empreendedores, exige mecanismos mais rápidos (ágeis) para verificar a viabilidade do negócios e aceitação dos prospects.

É neste contexto que os conceitos de Validação, MVP- Minimum Viable Product, Personas, entre outros, preenchem um novo espaço no constante esforço para compreender o sempre imponderável comportamento dos consumidores.

Longe de excluir as pesquisas de mercado, as grande organizações buscam cada vez mais uma aproximação com as startups, seja por meio de criação de incubadoras, aceleradoras, investimentos, aquisições ou eventos. Acredito que deste mix sairão soluções muito oportunas e relevantes para todo este ecossistema envolvido e, em especial, para os consumidores brasileiros.

(*) – É professor universitário e mentor de startups.

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