Os imigrantes desejados pelos EUA

Vinícius Bicalho (*)

Nos últimos meses o planeta teve acesso ao grave problema que os EUA vivem com a fronteira ao sul do país. São milhares de pessoas das mais diversas nacionalidades tentando migrar para o país. O país mais capitalista do mundo é o sonho de muitos que já não mais encontram esperanças na sua nação.

De outubro de 2019 a julho de 2021 o Brasil recebeu 27 aviões repletos de brasileiros deportados dos EUA. Prática iniciada na gestão Trump e mantida pelo atual presidente norte-americano, Joe Biden. Sempre que ocorre a troca de presidente nos EUA o mundo alimenta uma enorme esperança de que as coisas mudarão na imigração americana…

Ledo engano. Os EUA possuem instituições sólidas e qualquer alteração na legislação imigratória desejada pela Presidente deverá ser previamente aprovada pelas casas do legislativo. Portanto, apenas medidas administrativas de controle estão sob os cuidados do Presidente. Existem diversos outros fatores que afetam diretamente a imigração, sendo o principal deles a economia. Quanto melhor a economia, maior a necessidade de mão de obra para ajudar a “máquina a girar”.

Contudo, é inegável que existe um perfil de imigrantes que não estão sujeitos à crise da fronteira do sul. São os imigrantes qualificados. Pessoas que possuem perfil de destaque profissional ou que comprovam que de alguma maneira agregarão valor ao país, podem ser recebidos nos EUA sem que haja um empregador ou algo parecido, baseado única e exclusivamente no interesse dos EUA ter profissionais desse quilate.

Os principais exemplos são os vistos EB-1A e EB-2NIW – ambos conduzem à residência legal e concedem o tão sonhado green card. O visto EB-1 A é elegível para aqueles com “habilidades extraordinárias” nos esportes, educação, negócios, artes ou ciência. Em suma, estão no topo de sua área de atuação e possuem destaque.

Já o EB-2NIW é o chamado visto de “habilidades excepcionais”, para profissionais que possuem bacharelado e 5 anos de experiência, bem como consigam demonstrar que sua presença agregará valor de alguma forma ao país. Profissionais com mestrado ou doutorado também podem se enquadrar nessa hipótese.

Enquanto a pandemia gerou uma redução de 48% na emissão de vistos para os EUA no ano de 2020, o volume de profissionais qualificados que deixaram o Brasil rumo aos EUA cresceu 36% somente no ano de 2020 e vem crescendo ao longo do tempo. Seja democrata ou republicano, é inegável que existe sim um perfil de imigrante desejado pelos EUA.

(*) – É Mestre em Direito no Brasil e nos Estados Unidos e especialista em imigração e internacionalização de negócios na Bicalho Consultoria Legal.

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