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Por que tantas empresas ainda sofrem com instabilidade?

em Espaço empresarial
sexta-feira, 22 de maio de 2026

Falhas em ambientes digitais podem gerar prejuízos milionários para empresas, segundo relatório global da IBM

Neste mês de maio, uma sequência de falhas em serviços amplamente utilizados por empresas, como Google Workspace e Microsoft 365, voltou a comprometer operações corporativas. Relatos de indisponibilidade e lentidão nessas plataformas, registrados no fim de abril, interromperam reuniões, afetaram atendimentos e travaram fluxos internos. O impacto vai além da operação: relatório global da IBM indica que falhas e interrupções em ambientes digitais podem gerar prejuízos milionários para empresas, considerando perdas diretas e impacto na continuidade dos negócios.

“Quando um serviço grande apresenta instabilidade, o impacto fica evidente. Mas, no dia a dia, a maior parte das interrupções nasce dentro da própria estrutura das empresas”, afirma Carlos Duran, gerente de TI da Unentel. “E isso, na maioria das vezes, está ligado à forma como a rede foi construída e vem sendo gerida.”

O primeiro passo para reduzir instabilidades não está na troca de operadora, mas na compreensão do que acontece dentro da própria infraestrutura. Isso passa por mapear todos os pontos de acesso, identificar quantos dispositivos estão conectados simultaneamente e quais sistemas são críticos para o negócio. Sem esse diagnóstico, empresas acabam tratando sintomas (lentidão, quedas) sem atacar a causa, que muitas vezes está em sobrecarga de banda, equipamentos defasados ou má distribuição do tráfego.

Outro ajuste que costuma fazer diferença imediata é a criação de redundância. Ter mais de um link de internet, preferencialmente de provedores diferentes, evita que uma única falha derrube toda a operação. Mas não basta ter dois links: é preciso configurar um balanceamento inteligente, que distribua o uso no dia a dia e assuma automaticamente em caso de queda. Sem isso, a empresa continua vulnerável mesmo investindo mais.

O monitoramento contínuo é outro ponto crítico e ainda pouco explorado. Hoje, já existem ferramentas que mostram, em tempo real, onde está o gargalo, se é um equipamento, um excesso de usuários, uma aplicação consumindo banda ou até um problema externo. Com esse tipo de visibilidade, a área de tecnologia consegue agir antes que o usuário perceba, evitando interrupções e reduzindo o tempo de resposta quando algo foge do padrão.

“Empresas que conseguem manter estabilidade são aquelas que tratam a rede como parte ativa da operação. Isso envolve acompanhar o desempenho o tempo todo, priorizar aplicações críticas, como sistemas financeiros ou de atendimento, e estruturar a rede para suportar crescimento. Quando existe esse nível de gestão, a internet deixa de ser um risco e passa a sustentar o negócio”, finaliza Duran.

Crescimento em tempos de crise: três lições para transformar instabilidade em oportunidade – Jornal Empresas & Negócios