Pandemia transforma prioridades e características do líder

A pandemia trouxe mudanças significativas na gestão das empresas de todos os portes e segmentos. Afinal, os líderes precisaram se adaptar de forma repentina com impacto no dia-dia das organizações. A pesquisa “A Agenda da Alta Liderança em 2021”, realizada pela Talenses Group em parceria com a Fundação Dom Cabral com 344 profissionais em cargos de gerência e alta liderança, apontou que essa nova realidade transformou as prioridades, metas e características dos líderes.

Segundo o levantamento, para 62% dos líderes a principal meta antes da covid-19 era aumento de lucro. No entanto, a prioridade mudou depois da pandemia. Agora, para 48% dos entrevistados o principal é manter as suas equipes e evitar demissões. A pesquisa destacou ainda que, antes da pandemia, apenas 5% tinham ações ESG como prioridade para 2020. O percentual subiu para 8% após o início da crise sanitária.

A boa comunicação segue como a característica mais valorizada para 41% dos líderes. Na pesquisa realizada em 2019, esse índice era de 60%. “Há uma mudança de prioridades depois da covid-19. Essa é uma crise especial, não é uma crise do sistema capitalista. A partir daí há várias maneiras de encarar. É normal haver uma diferença e o tipo de prioridade depende como as organizações encaram a visão desse novo mundo que está chegando”, afirmou o professor de Liderança e Estratégia e diretor do Centro de Liderança da Fundação Dom Cabral, Paul Ferreira.

Para o CEO da Talenses Executive João Márcio Souza, se destacarão os líderes que conseguirem se adaptar rapidamente a essa nova realidade imposta pela pandemia. “Esse líder que nós conhecemos até ontem não existe mais. Ele está totalmente desafiado. A liderança que eu admiro é aquela que consegue rapidamente se adaptar a qualquer contexto e construir, através de pessoas, uma cultura de sucesso”.

Diante desse cenário que coloca a comunicação como uma característica fundamental para os líderes, a sócia-diretora da In Press Oficina, Patrícia Marins, afirma que comunicar é diferente de informar. Segundo ela, esse é um dos principais desafios dos líderes neste momento de trabalho remoto e transformação na gestão das empresas.

“Muitas vezes nós líderes achamos que estamos comunicando, mas comunicação é o que o outro entendeu, não o que eu falei. E muitas vezes nós somos pegos por essa interpretação equivocada e o que estamos fazendo é informar. Não crio cultura e muito menos engajamento, mas crio um problema operacional”.

Outro dado relevante apresentado pela pesquisa é importância da inovação. O desenvolvimento de novos produtos e serviços estão na mira de 35% das lideranças, sobretudo das micro e pequenas. Essa é uma prioridade de médio a longo prazo que está à frente do aumento dos lucros (28%), expansão nacional (25%) e aumento da produtividade e eficiência da equipe (23%).

“A inovação é um aspecto importante. O inovador é aquela pessoa que vê o que ninguém viu ainda. A pandemia tem sido um grande celeiro de criatividade. Há muitas perspectivas que mostram que vamos viver um ‘boom’ de criatividade. Nesse momento em que as pessoas ficaram reclusas, a autoconsciência aumentou e despertou um momento de grande criatividade”, explicou Patrícia.

Nesse contexto, João Márcio Souza explica que inovação não significa criar algo completamente novo, mas sim implementar uma nova ideia ou processo dentro da organização. “Inovação não quer dizer necessariamente coisas novas, mas mudar o padrão, fazer diferente. Não quer dizer que tem que construir algo do zero. Uma das competências no sentido de inovação que mais tenho discutido é habilidade de influenciar”. Fonte: (www.inpressoficina.com.br).

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