Gravado em 10 países, “Um Futuro Possível” investiga experiências que ampliaram as possibilidades de territórios minerários por meio da ciência, da cultura, do turismo e da inovação. Um laboratório escondido sob quilômetros de rocha para tentar compreender alguns dos maiores mistérios do Universo. Uma antiga mina de carvão convertida em endereço de cultura, design e turismo. Cavernas de onde antes se extraía ardósia transformadas em um parque com tirolesas, pontes e percursos de aventura. Parece improvável que lugares tão diferentes façam parte de uma mesma história. É justamente atrás dessas conexões que Gustavo Roque, especialista em inovação e transição pós-mineração, viaja o mundo em “Um Futuro Possível”, série documental brasileira idealizada por ele e coproduzida com a Dromedário Filmes.
A produção nasce da visão de Roque de contribuir para a discussão sobre o futuro dos territórios minerários e os diferentes caminhos que podem ser construídos a partir de seus legados. Com cinco episódios e filmagens em 16 locações de dez países, a série parte de uma pergunta que permeia toda a jornada: o que mais um território minerário pode ser? “O mais interessante é entender o que existe por trás dessas experiências. Não é simplesmente olhar para uma antiga mina e dizer que ela virou um parque, um laboratório ou um espaço cultural. Queremos entender como essa transformação foi pensada, quem participou dela e o que aquele território conseguiu aproveitar do que já tinha”, explica ele.
Identidade não desaparece
Durante décadas, uma mina pode moldar a economia, a infraestrutura e até a identidade de uma cidade. Quando a atividade muda, diminui ou chega ao fim, nada disso desaparece junto com a última tonelada extraída. Ficam estradas, estruturas, conhecimento, paisagens, histórias e pessoas. A questão é o que fazer com tudo isso. A resposta, como a série documental pretende mostrar, pode estar onde menos se espera.
Para olhar o Universo, primeiro é preciso descer. Uma das primeiras experiências já registradas pela equipe está em Sudbury, no Canadá. Ali funciona o SNOLAB, um dos laboratórios subterrâneos de pesquisa mais profundos do mundo, instalado a cerca de dois quilômetros de profundidade, dentro da Creighton Mine, uma mina de níquel em operação. O laboratório reúne pesquisadores de instituições e países em diferentes frentes de pesquisa.
“Você começa falando de uma mina e, quando percebe, está falando de neutrinos, matéria escura e de pesquisas que tentam ajudar a entender a própria origem e o funcionamento do Universo. Essa convivência entre coisas aparentemente tão distantes é muito impressionante”, diz o idealizador Roque, assinalando que, em Llechwedd, no norte do País de Gales, por exemplo, cavernas e estruturas subterrâneas, que fazem parte da história minerária da região, abrigam hoje experiências de aventura. Há circuitos instalados dentro da antiga mina, com tirolesas, pontes, obstáculos e percursos pelas cavernas.
A série documental segue ainda pelos Estados Unidos, Bélgica, Alemanha, Áustria, Polônia, República Tcheca, França e Inglaterra. A última etapa acontece no Brasil, onde quatro casos, distribuídos por três estados, entram na investigação. “O objetivo não é sugerir que exista uma fórmula capaz de transformar qualquer área minerária em laboratório, museu ou parque. Queremos inspirar e instigar novos caminhos, novas respostas”, conclui.
As filmagens de “Um Futuro Possível” estão em andamento e o lançamento da série documental está previsto para o primeiro trimestre de 2027, quando as experiências reunidas ao longo dessa viagem ganharão uma mesma tela e, sobretudo, colocarão em perspectiva uma pergunta que permeia toda a produção: que outros futuros podem começar a ser imaginados hoje para os territórios minerários?



