
País tem superávit de US$ 1,5 bilhão em uma única semana, mas …
Redação
O comércio exterior brasileiro avança em ritmo acelerado. E nem mesmo o tarifaço dos Estados Unidos vai acabar com essa alegria. Diminui, mas não acaba. Somente na segunda semana de junho último, o país registrou superávit de US$ 1,5 bilhão, corrente de comércio de US$ 15,4 bilhões, com exportações de US$ 8,4 bilhões e importações de US$ 7 bilhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No mês (junho) foram US$ 9,8 BI de superávit, com a corrente de comércio atingindo R$ 62,8 BI. Isto é 20,3 % maior que em igual período do ano passado. Friamente, os números sinalizam uma economia que exporta maior volume, mas que ainda não modernizou a infraestrutura operacional que o sustenta.
Esta visível contradição é conhecida por quem opera no Comex: enquanto o fluxo de mercadorias cresce, os bastidores das exportações especialmente para a América Latina continuam dependentes de processos manuais, planilhas paralelas, comunicação descentralizada e rastreamento fragmentado. O resultado são custos evitáveis, retrabalho e decisões tomadas com dados incompletos.
Esse gap entre o volume exportado e a maturidade operacional das empresas é o terreno onde uma nova geração de soluções de gestão logística começa a ganhar tração no mercado brasileiro.
Do Comex 1.0 ao Comex 3.0
Especialistas do setor identificam uma evolução em estágios na forma como empresas brasileiras conduzem suas operações de comércio exterior. O Comex 1.0 foi marcado pelo papel e pelo controle presencial. O Comex 2.0 digitalizou documentos e transferiu planilhas para a nuvem. O Comex 3.0, conceito ainda em consolidação no mercado, propõe integração real: visibilidade end-to-end, automação de etapas burocráticas, alertas em tempo real e tomada de decisão baseada em dados.
A transição, porém, não é tão simples quanto parece. Empresas com operações em múltiplos países e diferentes regimes aduaneiros enfrentam uma camada adicional de complexidade. Na exportação para México, Chile, Colômbia e Paraguai simultaneamente, a fragmentação operacional não é apenas ineficiente, é um risco.
A Hinode, multinacional brasileira do segmento de beleza, fragrâncias e bem-estar, é um dos exemplos recentes dessa transição. Com 7 operações de exportação simultâneas para a América Latina, a empresa adotou a plataforma da Flowls para construir o que internamente denominou Torre de Controle — uma estrutura de gestão integrada que centraliza todo o fluxo de comércio exterior em uma única interface.
O projeto, ainda em andamento, já apresenta resultados mensuráveis: 59% de redução no fluxo burocrático de exportação, eliminação de controles paralelos e dashboards segregados, e implantação de um check list automático parametrizado por tipo de carga e modal mecanismo que passou a atuar como camada de controle de qualidade na operação.
“Gerenciar a complexidade logística e regulatória de múltiplos mercados na América Latina exige um nível de precisão que as planilhas tradicionais já não conseguem entregar. A implementação da Torre de Controle nos deu a previsibilidade necessária para antecipar gargalos e tomar decisões estratégicas baseadas em dados consolidados em tempo real”, afirma Mayara Caetano, Gerente de Comex e Projetos Latam na Hinode.
“O que observamos no mercado é que a maioria das empresas exportadoras ainda opera com um nível de visibilidade muito aquém do que a velocidade atual do Comex exige”, completa Anna Valle, COO da Flowls (plataforma brasileira de gestão de operações de comércio exterior).


