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O maior erro na escolha profissional não é escolher errado

em Economia da Criatividade
quinta-feira, 06 de agosto de 2026

Durante anos, acompanhei milhares de estudantes em um dos momentos mais importantes de suas vidas: a escolha da carreira. Curiosamente, a maior preocupação quase sempre era a mesma: “E se eu escolher errado?”.

Com o tempo, percebi que essa talvez não seja a pergunta mais importante. Na minha experiência, o maior erro não é começar Engenharia e descobrir que prefere Direito. Não é trocar de curso ou até mudar completamente de profissão. O verdadeiro erro é tomar uma decisão importante sem antes conhecer a si mesmo.

Vivemos em um mundo em que as carreiras estão mudando em uma velocidade sem precedentes. A inteligência artificial está automatizando tarefas, novas profissões surgem todos os anos e muitas das ocupações que existirão na próxima década ainda nem foram criadas. Nesse cenário, acreditar que uma única escolha aos dezessete anos definirá toda a vida profissional parece cada vez menos realista.

Future of Jobs Report 2025, do World Economic Forum, mostra que milhões de trabalhadores precisarão desenvolver novas competências nos próximos anos para acompanhar as transformações do mercado. Já pesquisas da OCDE apontam que competências como adaptabilidade, aprendizagem contínua e pensamento crítico são fundamentais para navegar esse novo cenário.

É justamente por isso que acredito que o autoconhecimento se tornou uma das competências mais estratégicas do século XXI. Quando uma pessoa compreende seus valores, interesses, talentos e motivações, ela toma decisões com muito mais consciência. E, quando o mundo muda — como inevitavelmente mudará — ela consegue reavaliar seus caminhos sem enxergar essa mudança como um fracasso.

Ao longo da minha trajetória na educação internacional, aprendi que orientar uma carreira nunca foi sobre prever o futuro. Sempre foi sobre desenvolver pessoas capazes de construir diferentes futuros para si mesmas. Talvez devêssemos parar de perguntar aos jovens qual profissão eles querem seguir e começar a perguntar quem eles desejam se tornar. Essa mudança de perspectiva reduz a ansiedade, amplia as possibilidades e torna as escolhas muito mais consistentes.

No fim das contas, acredito que escolhas conscientes são muito mais importantes do que escolhas perfeitas.

Referências

OECD. OECD Skills Outlook 2023: Skills for a Resilient Green and Digital Transition. Paris: OECD Publishing, 2023.

World Economic Forum. The Future of Jobs Report 2025. Geneva: World Economic Forum, 2025.

Carol Olival acredita que, em um mundo transformado pela inteligência artificial, a habilidade mais importante não é prever o futuro, mas aprender a tomar boas decisões. Especialista em marketing para instituições educacionais, pesquisadora e Community Outreach Director da Full Sail University no Brasil, dedica sua carreira a aproximar educação, tecnologia e desenvolvimento humano. É autora do livro Você Não Precisa Saber Agora e, nesta coluna, convida o leitor a refletir sobre os desafios e as oportunidades de aprender, escolher e evoluir em um cenário de mudanças constantes.

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