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Por que tantas empresas avançam em tecnologia, mas não em maturidade digital

em Destaques
quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Alex Camargo (*)

Empresas brasileiras nunca investiram tanto em tecnologia quanto nos últimos anos. A modernização ganhou status de prioridade estratégica e hoje, conselhos, diretorias e lideranças de negócio discutem temas como cloud, inteligência artificial, automação, dados e cibersegurança como fatores que estão ligados à competitividade e ao crescimento das organizações.

Ainda assim, uma pergunta continua sem resposta para muitas empresas: por que os resultados nem sempre acompanham os investimentos realizados? Durante muito tempo, a evolução digital foi associada à adoção de novas tecnologias. Hoje, com ferramentas cada vez mais acessíveis, o desafio está em transformar investimentos em ganhos para o negócio.

De acordo com a McKinsey, empresas líderes em maturidade digital podem apresentar crescimento de EBTIDA até cinco vezes superior ao das demais organizações – mostrando que, mais do que investir em tecnologia, a capacidade de integrar estratégia, dados e processos é o que determina a geração de valor.

Quando a tecnologia avança mais rápido do que a organização
Empresas maduras digitalmente não são aquelas que possuem mais ferramentas, mas sim, aquelas que conseguem utilizá-las para tomar decisões melhores, responder mais rapidamente às mudanças do mercado e criar experiências mais relevantes para clientes, parceiros e colaboradores.

No Brasil, ainda é comum encontrar organizações que avançaram em infraestrutura e modernização tecnológica, mas continuam operando com áreas desconectadas. Marketing trabalha com uma base de informações, vendas utiliza outra, operações acompanha indicadores diferentes e tecnologia acaba concentrada na sustentação dos sistemas. Quando cada área opera com métricas e prioridades próprias, a empresa perde velocidade e encontra dificuldades para transformar dados em decisões.

Esse cenário se torna ainda mais desafiador no mercado B2B. A jornada de decisão ficou mais longa, mais consultiva e influenciada por dados, conteúdo e experiências construídas em diferentes canais de relacionamento. Muitas organizações já possuem dados suficientes para compreender melhor seus clientes, mas ainda enfrentam dificuldades para transformar esse conhecimento em ações coordenadas entre marketing, vendas e atendimento. E os clientes esperam personalização, interações relevantes e respostas rápidas, independentemente do ponto de contato.

Maturidade digital começa pelo negócio
O desafio é entender onde estão os gargalos que impedem a organização de capturar valor. Identificar o nível de maturidade do negócio, eliminar desconexões operacionais e transformar tecnologia e dados em ganhos reais de produtividade é o que permite acelerar resultados. Nesse contexto, maturidade digital precisa ser tratada como uma agenda de negócio. A capacidade de integrar dados, alinhar áreas e transformar informação em inteligência influencia o crescimento, eficiência operacional, retenção de clientes e geração de receita.

No ambiente B2B, marketing, vendas e tecnologia precisam atuar de forma integrada, compartilhando a responsabilidade pela experiência do cliente e pelos resultados do negócio. Empresas que conseguem conectar essas áreas ganham velocidade, ampliam sua capacidade de adaptação e fortalecem relacionamentos de longo prazo.

Por isso, maturidade digital não deve ser encarada como um projeto com início, meio e fim, mas sim, de ser construída continuamente, baseada em estratégia, integração entre áreas e uma cultura orientada por dados.

Transformar tecnologia em resultado
O mais importante não é quais tecnologias uma empresa possui, mas o quanto ela consegue transformar esses investimentos em crescimento, produtividade e relacionamento com clientes.

Em um cenário em que praticamente todas as organizações têm acesso às mesmas ferramentas, a vantagem competitiva está na capacidade de conectar dados, pessoas e processos em torno de objetivos comuns.

Talvez a pergunta que as lideranças precisem fazer não seja “quais tecnologias faltam na minha empresa?”, mas algo mais desafiador: estamos aproveitando todo o potencial daquilo que já temos? Em muitos casos, o maior obstáculo para a transformação não é a falta de tecnologia. É a falta de integração, de governança e de clareza sobre como transformar informação em resultados.

(*) Head de Observabilidade da Delfia, curadoria de jornadas digitais.

Maturidade Digital: os sete princípios que levam uma empresa ao sucesso | Jornal Empresas & Negócios