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O que as empresas devem priorizar com a NR-1 em vigor

em Destaques
segunda-feira, 15 de junho de 2026

A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a exigir das empresas o mapeamento e a gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho, entrou oficialmente em vigor em 26 de maio de 2026. Com isso, as empresas já podem ser fiscalizadas caso não incluam fatores ligados à saúde mental no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). A nova etapa da norma ocorre em meio ao avanço dos afastamentos por transtornos mentais no Brasil. Segundo dados do INSS, o país registrou 546 mil afastamentos relacionados à saúde mental em 2025, alta de 15% em relação ao ano anterior e o terceiro crescimento consecutivo.

“Nesses primeiros meses de vigência, o Ministério do Trabalho e Emprego não vai fiscalizar todas as organizações do país, isso seria impossível. O que tende a acontecer é uma fiscalização baseada em gatilhos, principalmente denúncias e acidentes graves. Se um colaborador denunciar assédio, sobrecarga ou condições de trabalho que afetem sua saúde mental, a empresa entra no radar. O mesmo vale para acidentes graves ou afastamentos que chamem atenção. E quando o auditor chega, ele não olha só o documento, mas conversa com os trabalhadores, cruza informações e verifica se o que está no papel corresponde à realidade”, explica Tatiana Pimenta, fundadora e CEO da Vittude, referência no desenvolvimento e gestão estratégica de programas de saúde mental para empresas.

Segundo a executiva, alguns setores, pela própria natureza da atividade, apresentam risco psicossocial elevado e devem ter maior atenção da fiscalização. Entre eles estão telemarketing, educação, bancos e serviços financeiros, hospitais e serviços de saúde, e segmentos com atendimento intenso ao público ou exposição recorrente à violência urbana. Abaixo, ela lista os principais pontos que as empresas devem priorizar agora que a NR-1 entrou em vigor:

  1. Escolha um parceiro sério
    “O mercado está cheio de oportunistas, com consultorias novas e soluções milagrosas, mas é preciso cautela. Deve-se buscar parceiros com experiência concreta no mapeamento de riscos psicossociais, histórico de atendimento em organizações de porte semelhante e capacidade de oferecer benchmarks e boas práticas do setor. Experiência, neste cenário, deixou de ser diferencial e passou a ser requisito”, comenta a CEO.
  2. Seja criterioso no instrumento de avaliação
    “Nem todo instrumento validado cientificamente é adequado para a realidade corporativa. Existem ferramentas excelentes para pesquisa clínica, mas inviáveis para grandes empresas por exigirem questionários longos e complexos, o que reduz a adesão e aumenta o risco de fragilidade diante de uma fiscalização”, adiciona.

Ainda segundo Tatiana, outro ponto crítico é que alguns instrumentos amplamente conhecidos deixam de fora fatores como assédio moral, hoje um dos aspectos mais observados pelo Ministério do Trabalho por gerar alto volume de denúncias. A executiva também destaca que medir apenas fatores psicossociais, sem correlacionar os impactos na saúde dos trabalhadores, dificulta o cálculo de severidade e probabilidade exigido pela NR-1 para classificação dos riscos.

  1. Paralelize processos e acelere a adequação
    “O processo de contratação em grandes empresas normalmente envolve suprimentos, jurídico e segurança da informação, geralmente em etapas sequenciais. Neste momento, muitas organizações precisaram rever essa lógica para ganhar velocidade”, avalia Tatiana.

A executiva recomenda que áreas envolvidas no processo atuem simultaneamente para acelerar a implementação das medidas exigidas pela norma. Segundo ela, avaliações de segurança da informação podem ocorrer enquanto o jurídico analisa contratos, por exemplo. Tatiana também ressalta que o mapeamento de riscos psicossociais envolve dados sensíveis de saúde e exige aderência rigorosa à LGPD, tornando indispensável que as empresas não negligenciem a proteção dessas informações.

Para mitigar esses impactos e atender às diretrizes da norma, a Vittude tem se destacado ao atuar como parceira estratégica das organizações. Através do diagnóstico preventivo, do mapeamento de riscos e de um forte ecossistema de educação em saúde mental, a empresa ajuda a traduzir as exigências da NR-1 em ações práticas. O objetivo é fazer com que o cumprimento da norma vá além do papel, consolidando um ambiente de trabalho psicologicamente seguro.

Saúde mental em risco: os principais desafios psicossociais nas empresas brasileiras – Jornal Empresas & Negócios