
Estudo aponta que empresas com processos desorganizados perdem até 30% da receita anual por falhas operacionais e retrabalho, sendo o adversário da competitividade
Milhares de empresas brasileiras perdem uma parcela significativa do faturamento sem que esse prejuízo apareça em nenhum relatório financeiro. Sem alertas, sem linha vermelha no DRE e sem que nenhum gestor consiga apontar exatamente onde está o problema. Esse é o retrato de negócios que convivem diariamente com o que especialistas chamam de custo invisível da desorganização operacional, e que, na maioria das vezes, sequer sabem que estão pagando por ele.
Os números são alarmantes. Segundo levantamento da McKinsey & Company, empresas que operam com baixa eficiência podem perder até 30% de sua receita anual por conta de falhas operacionais e retrabalho. E quando o problema se estende ao campo dos dados, o prejuízo se aprofunda. Estima-se que empresas perdem, em média, entre 12 e 15 milhões de dólares por ano em razão da baixa qualidade das informações que alimentam suas operações.
O cenário é agravado pela fragmentação tecnológica, onde, de acordo com a Gartner, mais de 85% das organizações utilizam múltiplos softwares desconectados, o que gera duplicidade de dados, retrabalho e perda de oportunidades estratégicas.
Segundo Alvaro Chaves, CEO da Areco, empresa de tecnologia e consultoria com ecossistema próprio de soluções de gestão empresarial, a desorganização operacional raramente aparece com esse nome no cotidiano das empresas.
“Ela se disfarça de lentidão, de reunião desnecessária, de retrabalho que todo mundo já normalizou. O gestor olha para o mês e não consegue identificar onde foi o prejuízo, justamente porque ele não está em uma linha específica do orçamento. Está diluído em toda a operação. É isso que torna esse custo tão perigoso, ele corrói silenciosamente a margem, a produtividade e a capacidade de crescimento da empresa”, reforça Chaves.
A Areco tem atuado diretamente no diagnóstico e na reversão desse cenário. Para Chaves, um dos principais equívocos das organizações é acreditar que investir em tecnologia, por si só, resolve o problema.
“Colocar um sistema novo em cima de um processo desorganizado não gera eficiência, gera confusão mais cara. A transformação real começa quando a empresa entende onde está perdendo, mede esse impacto e estrutura uma operação que consiga, de fato, se sustentar com previsibilidade”, complementa o CEO.
A boa notícia é que o problema tem solução mensurável. Estudos da Forrester Research indicam que organizações que investem na integração de sistemas conseguem reduzir custos administrativos em até 35% e aumentar a eficiência operacional em 45%.
Para reverter esse cenário, Alvaro recomenda que as empresas comecem pelo mapeamento real dos processos, enxergando a operação como ela é, não como deveria ser, partam para a centralização das informações em um ambiente integrado, estabeleçam indicadores que tornem o custo invisível mensurável e, por fim, implementem melhorias de forma gradual, priorizando os processos de maior impacto financeiro.
Para Chaves, o primeiro passo é o mais difícil, e o mais necessário: “A empresa precisa ter coragem de olhar para dentro e aceitar que parte do que considera normal é, na verdade, desperdício que ela está pagando todos os dias. A mudança não precisa ser total para ser eficaz, mas é preciso lembrar que empresas que atuam com foco e dados nas mãos chegam mais longe, mais rápido”, conclui o porta-voz da Areco.

