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Malha fina: veja os erros mais comuns no Imposto de Renda e como evitá-los

em Destaques
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Rendimentos omitidos, despesas médicas sem comprovação e falta de organização financeira estão entre os principais motivos que levam mais de 1 milhão de brasileiros à malha fina todos os anos.

Todos os anos, mais de 1 milhão de declarações de Imposto de Renda ficam retidas na chamada malha fina, segundo dados da Receita Federal. Apesar do temor que o termo provoca, a maioria dos casos não está relacionada a fraude, mas a erros simples, falta de informação e ausência de organização financeira ao longo do ano.

Entre os principais motivos de retenção estão divergências de rendimentos, deduções indevidas, dependentes declarados de forma incorreta e incompatibilidade entre renda declarada e evolução patrimonial. Como a Receita cruza dados com bancos, empresas, planos de saúde e outras fontes, qualquer informação inconsistente pode gerar retenção.

Segundo Patrícia Bastazini, sócia da Bastazini Contabilidade, muitos contribuintes acreditam que o erro acontece no momento da declaração, quando, na verdade, ele se constrói ao longo do ano. “O contribuinte declara com base nos documentos que tem em mãos, enquanto a Receita trabalha com informações cruzadas. Quando não há controle financeiro mensal, as chances de divergência aumentam”, explica.

Os erros mais comuns que levam à malha fina

  1. Omissão de rendimentos – Rendimentos de aluguéis, trabalhos eventuais, aplicações financeiras e valores recebidos como pessoa física costumam ser esquecidos. Mesmo valores considerados baixos devem ser informados, pois a Receita recebe esses dados diretamente das fontes pagadoras.
  2. Despesas médicas sem comprovação adequada – Gastos com saúde lideram os motivos de retenção. Para serem aceitos, é necessário que os recibos sejam válidos, contenham CPF ou CNPJ do prestador e que os valores estejam de acordo com os informes enviados por clínicas e operadoras.
  3. Dependentes declarados de forma incorreta – Incluir dependentes que já constam na declaração de outro contribuinte ou informar despesas que não correspondem ao dependente declarado gera inconsistência imediata.
  4. Incompatibilidade entre renda e patrimônio – Quando a renda declarada não acompanha a evolução do patrimônio ou do padrão de vida, o sistema da Receita identifica o descompasso automaticamente.

Dicas práticas para evitar problemas com a Receita
Para reduzir o risco de cair na malha fina, a especialista recomenda algumas medidas simples, mas fundamentais:

• Organizar os documentos ao longo do ano, e não apenas na época da declaração

• Conferir se os informes de rendimentos batem com os valores declarados

• Guardar recibos e comprovantes por, no mínimo, cinco anos

• Evitar declarar informações com base apenas na memória

• Buscar orientação contábil antes do envio da declaração, especialmente em casos de rendas variadas ou patrimônio relevante

“Fevereiro é um mês estratégico para revisar informações e corrigir inconsistências antes da abertura do prazo oficial de entrega. A malha fina, na maioria das vezes, é previsível e pode ser evitada com organização e orientação adequada”, afirma Patrícia.

Caso a declaração seja retida, o contribuinte ainda pode regularizar a situação por meio de retificação, desde que identifique o erro e apresente as informações corretas. “Quanto antes o problema é tratado, menores são os riscos de multa e complicações”, finaliza a contadora.