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Como desenvolver uma empresa no setor da saúde?

em Destaques
segunda-feira, 08 de novembro de 2021

Paulo Humaitá (*)

A cada ano surgem novas healthtechs, empresas de base tecnológica voltadas para o setor da saúde. Segundo a Associação Brasileira de Startups, o número de empresas que atuam na categoria de saúde e bem-estar chega a 396, sendo esse o terceiro maior setor de atuação de startups no Brasil.

Healthtechs são ótimos negócios para melhorar a qualidade de vida das pessoas e muitas vezes demandam uma etapa de validação mais robusta do que a maioria das startups. É estratégico que um pesquisador esteja à frente das empresas desse setor, já que pesquisas e análises científicas são a base para o desenvolvimento desse empreendimento. Portanto iniciar uma healthtech não é nada fácil, mas com algumas orientações essa ideia pode ser tirada do papel.

  • Identificar o tipo de negócio – O primeiro passo para começar a empreender é entender qual o problema que você quer resolver. Há inúmeras áreas que possibilitam a criação de um novo negócio e é imprescindível a organização dessas ideias. Compreender profundamente as hipóteses iniciais do negócio, até mesmo nos moldes de uma nova pesquisa científica, é algo essencial ao empreendimento e deve ser discutido antes mesmo da empresa começar.

Essas hipóteses precisam ser colocadas à prova a partir de testes de mercado. Essa preparação ajuda o empreendimento a capturar valor até deixar a solução atraente para o mercado.

  • Pilares de sucesso – Quais os fatores que podem fazer desse projeto um sucesso? Quantas vidas essa healthtech consegue impactar? Quais os diferenciais da inovação na área? Como a solução será validada tecnicamente e mercadologicamente? Saber as respostas dessas perguntas é essencial para iniciar.
    Além disso, é essencial saber quais são os riscos desse desenvolvimento tecnológico. Uma saída é aproximar o projeto do mercado antes de dar início ao desenvolvimento para saber se a ideia é interessante.

Para isso, é interessante o uso de MVP (produto minimamente viável, em inglês) que consegue validar o potencial de uma ideia antes que seja investido muito dinheiro e tempo. Investir em relacionamento com potenciais parceiros que ajudem a viabilizar a entrada dessa primeira solução no mercado é um ativo que funciona muito para startups que não possuem uma grande rede à sua disposição.

  • Rede de colaboradores – Uma pessoa pode ter uma ideia genial de negócio, mas é praticamente impossível dar vida à ela se for sozinha. Inovações que dão certo são resultados de um time de founders com habilidades complementares. Startups compostas somente por pesquisadores, o famoso “time do lab”, acabam tendo muitas dificuldades quando sentem ausência de características empreendedoras necessárias, além da capacidade técnico-científica.

Saber dialogar com grandes empresas, modelar negócios, negociar com clientes e investidores, por exemplo, são skills indispensáveis para alavancar uma startup.

  • Não tenha medo de iniciar – Iniciar um novo negócio pode parecer assustador para muita gente, principalmente para pesquisadores que nunca fizeram isso antes. Porém é importante entender que aos poucos tudo vai se encaixando.
    Comece estruturando o tipo de negócio, pense nos pilares de sucesso e nos diferenciais, busque por profissionais capacitados e que consigam colaborar com o negócio da melhor maneira e não tenha medo de dar o primeiro passo.

Além disso, buscar ajuda de pessoas que já trabalham com algo parecido com o seu projeto pode ser uma boa ideia. Essas pessoas já passaram por várias etapas e poderão auxiliar de alguma forma. Aproximar-se de pessoas que sabem como gerenciar uma empresa pode ser uma ótima alternativa também, já que gerir um empreendimento pode ser mais trabalhoso do que o esperado.

Outro ponto importante é a colaboração entre grandes empresas e startups nos programas de inovação. Na Bluefields, aproximamos empreendedores das startups, grandes empresas e mentores da área de biodigital (saúde, alimentação, agronegócio, etc) e, ainda, acompanhamos de perto a evolução de cada startup, auxiliando na implementação de métodos que aceleram a execução, além de conectar essas empresas a investidores.

Por fim, ser um pesquisador não é um impedimento para empreender. Na verdade, é uma ótima ideia, já que cada vez mais healthtechs surgem no país e quanto mais aproveitamos a chance de usar a tecnologia para impactar positivamente na saúde, mais a sociedade ganha.

(*) – É CEO da Bluefields (www.bluefieldsdev.com).