Como abrir a sua mente, e o seu negócio, para a inovação em rede

Eduardo Abreu (*)

Quando olho para as soluções em pagamento se multiplicando no Brasil, com a entrada de novos players na indústria, como fintechs e startups, vejo um movimento poderoso composto de conexões que, por meio de parcerias e colaboração, possibilitando uma melhoria constante na experiência de consumidores e estabelecimentos comerciais.

Imagine que, no Brasil, segundo o último dado anual da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), foram realizadas mais de 30 bilhões de transações com cartões em 2021, o que corresponde, na média, a 85 milhões de pagamentos por dia.

Por trás de cada uma delas, existem ramificações intrincadas de redes e soluções que funcionam com agilidade, inteligência e segurança com o intuito de que cada transação aconteça sem fricção, de forma orgânica, invisível. Cada vez mais, isso é possível sobretudo graças a parcerias estratégicas e a uma nova mentalidade de quem está no setor, a de buscar soluções no mercado e de inovar de forma aberta.

Hoje, acredito que é preciso abrir a mente — e o seu negócio — para incorporar soluções de outros parceiros e otimizar a sua operação, tendo como resultado ganhos e melhorias de todos os envolvidos em um projeto. É um novo jeito de fazer negócio que passa a ver outros empreendimentos, até mesmo aquele que você poderia considerar, no passado, seu antigo concorrente, como um parceiro dentro de um ecossistema em transformação.

Tudo, é claro, sem ferir os temas e regras concorrenciais. Estamos em constante curva de aprendizado, com novos entrantes no mercado, como dissemos, uma grande diversificação de ofertas de produtos e hábitos de consumo que fogem do padrão que conhecemos. Ainda de acordo com dados da Abecs, o setor de cartões no Brasil viu um crescimento expressivo de 33% em 2021, em comparação com o ano anterior.

Temos que olhar esse ponto de ebulição e extrair dali boas ideias: ler o cenário atual com uma nova perspectiva de crescimento. Na Visa, onde tenho a função de justamente buscar novas frentes de negócio, avançamos nos últimos anos bastante nessa direção de trazer para dentro da nossa rede outros players, com os quais passamos a nos relacionar mais de perto em busca de oportunidades, num processo mútuo de adquirir e transmitir conhecimento.

Há mais ou menos três anos, iniciamos uma parceria muito interessante com bandeiras locais, cuja atuação é restrita a uma rede regional, composta em geral por estabelecimentos comerciais em cidades pequenas. Por exemplo, uma empresa com atuação apenas em um estado específico ou para uma rede de varejo de uma determinada região do país.

Elas buscavam expandir o alcance de suas operações e garantir uma aceitação global de seus cartões. Enquanto havia uma dor latente dessas empresas, do nosso lado, passávamos por um momento importante de inovação: diversificando soluções e estreitando relacionamentos até com quem antes não víamos sinergia.

Resolvemos integrar nossas soluções globais de pagamento com uma rede de operação local, estabelecendo uma conexão valiosa para os participantes do ecossistema.A Visa tem por intuito fortalecer o mercado, possibilitando a ampliação da aceitação das credenciais de pagamento e permitindo mais opções aos consumidores.

A partir disso, o portador de uma credencial de pagamento da bandeira local passaria a ter vantagens como:

  • Ampliação da rede de aceitação do cartão, inclusive internacionalmente em mais de 100 milhões de estabelecimentos.
  • Acesso a tecnologias que permitem o pagamento por aproximação e a compras online.
  • Protocolos de segurança robustos contra os ataques de fraudadores.
  • Tecnologia de tokenização.
  • Aceitação em diferentes credenciadores.
  • Acesso a benefícios, promoções e descontos.

No fim das contas, temos como principal resultado uma melhor experiência do usuário. Basicamente, estamos falando para nosso parceiro cuidar do negócio dele, focar nas vendas e atendimentos, deixando com a gente a parte de tecnologia, segurança e inovação.

E não se trata de uma via de mão única. Também aprendemos muito durante esse processo com a inteligência e a expertise de quem trabalha em redes menores, absorvendo conhecimento e informações relevantes de nossos parceiros. A ideia é justamente essa: ter uma troca de experiência e valor que seja fértil para ambos os lados.

Aos poucos, aprendemos a construir pontes para trilhar um caminho de conquistas, fortalecendo o segmento de pagamentos eletrônicos e trazendo melhores experiências aos consumidores.

(*) – É VP de novos negócios da Visa do Brasil.

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