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Como a Neurociência está redefinindo o branding: o cérebro por trás das marcas

em Destaques
quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Regina Monge (*)

A neurociência está reescrevendo a forma como as marcas se constroem e se conectam com as pessoas. Em um mundo onde a atenção se tornou escassa e as decisões são tomadas em milissegundos, entender o cérebro deixou de ser uma curiosidade científica e passou a ser uma vantagem competitiva real para o branding. Marcas que dominam o uso da neurociência no design, na comunicação e na construção de confiança estão criando relações emocionais profundas e duradouras. E é justamente isso que diferencia uma marca memorável de uma marca esquecível.

A nova era do design: quando o cérebro “sente” o produto – Pesquisas recentes mostram que a percepção de qualidade começa muito antes de qualquer argumento racional. Empresas de bebidas, por exemplo, têm usado ferramentas de neuromarketing para testar sons, texturas e formatos que ativam áreas do cérebro relacionadas ao prazer e à memória emocional. O som de uma garrafa sendo aberta, o toque de uma embalagem ou o brilho de um rótulo acionam circuitos sensoriais capazes de gerar uma sensação automática de frescor, confiança ou valor. Esse é o poder do branding multissensorial: quando visão, tato e audição trabalham juntos, criam memórias afetivas mais fortes e consolidam o posicionamento emocional da marca.

O storytelling que o cérebro não esquece – A publicidade também está sendo transformada pela neurociência. Antes, as marcas testavam anúncios por intuição. Agora, o uso de rastreamento ocular (eye-tracking) e eletroencefalogramas (EEG) permite mapear o exato segundo em que o público perde a atenção. Essas descobertas têm redefinido a maneira como campanhas são estruturadas: elas seguem arcos narrativos emocionais, com um gancho rápido, uma progressão de envolvimento e uma recompensa emocional ao final — exatamente como o cérebro humano espera que uma boa história aconteça. A explicação é biológica: histórias bem contadas liberam dopamina, o neurotransmissor da motivação e do prazer, e fortalecem a conexão entre a marca e a memória. Quando o cérebro sente, ele se engaja.

A neurociência da confiança: por que acreditamos em certas marcas – Um dos maiores mitos do branding é acreditar que confiança é construída apenas por argumentos racionais. A neurociência comprova o contrário: a confiança é neurológica, não lógica. Ela se forma em áreas do cérebro associadas à segurança, empatia e previsibilidade — os mesmos circuitos usados para reconhecer pessoas confiáveis em nossas relações sociais. Por isso, quando uma marca comunica transparência, coerência e propósito autêntico, o cérebro responde com conforto e familiaridade, reforçando o sentimento de “posso confiar”. Mais do que slogans, o consumidor busca sinais cerebrais de segurança emocional.

O branding do futuro é biológico, não apenas visual – Em um mercado saturado de estímulos, o desafio não é apenas ser visto — é ser lembrado. E para isso, é preciso compreender o que realmente move o comportamento humano: emoções, memórias e recompensas cerebrais. O branding do futuro será híbrido: parte ciência, parte arte. Uma fusão entre dados, sensações e propósito. As marcas que compreenderem essa lógica neurobiológica não precisarão disputar atenção — elas serão naturalmente escolhidas pelo cérebro.

(*) – É especialista em Neurobranding e founder do Neurobranding Lab, empresa que leva ciência e tecnologia às marcas.