A “Grande Renúncia” é uma grande oportunidade para a reinvenção da TI

Wagner Grazina (*)

A “Grande Renúncia”, fenômeno que representa o aumento significativo nos pedidos voluntários de demissão em todo o mundo e cujo catalizador foi o “mundo pós-pandêmico”, principalmente a volta aos modelos tradicionais de trabalho e o aumento nos casos de burnout em todo o mundo, já afeta mesmo países com altas taxas de desemprego e de inflação, como o Brasil.

Em um relatório sobre trabalho híbrido, a Microsoft descobriu que 41% da força de trabalho global está considerando pedir demissão. No Brasil, apenas em janeiro deste ano, 544.541 pessoas decidiram abandonar seus trabalhos. Em março, novo recorde: 603 mil trabalhadores saíram de seus trabalhos voluntariamente, e o tema teve destaque no Jornal Nacional pois é o maior número dos últimos oito anos.

Os dados são um recorte do Caged feito pela LCA Consultores. Adicionalmente, o estudo Workforce Pulse, da PWC, mostra que 45% da Geração Z e 47% dos funcionários da geração Y abririam mão de 10% ou mais de seus ganhos futuros por uma oportunidade de trabalhar remotamente. A taxa de desemprego em TI mundialmente é baixa se comparada a outros setores (cerca de 1,7% para o mercado em geral e de 0,2% para a área de segurança cibernética).

Isto, junto ao déficit de profissionais no setor– uma carência de mais de 400 mil postos de trabalho, segundo a Softex- tornam ainda mais preocupantes os já altos níveis de rotatividade de pessoal dentro do setor de tecnologia. O sucesso das empresas nos últimos dois anos dependeu imensamente da capacidade das equipes de tecnologia em manter os funcionários produtivos em casa — e não apenas produtivos, mas dedicados, motivados e energizados.

Em 2022, essas empresas enfrentam então dois desafios críticos: a necessidade de remodelar os locais de trabalho para atender às demandas do modelo híbrido e remoto e a falta de talentos especializados em TI para oferecer suporte às inovações e a estas novas formas de trabalho.

Tudo isso está aumentando a sobrecarga dos líderes de TI. Um grande questionamento é como manter a infraestrutura física, proteger contra a exposição a riscos de segurança e conformidade e, ao mesmo tempo, reforçar iniciativas estratégicas para reduzir custos da companhia.

Embora a transição para o trabalho remoto e a necessidade de tecnologia para dar suporte a esta transição de forma eficaz pareça ser uma causa subjacente da Grande Renúncia, também pode ser a chave para prosperar no mundo “pós-pandemia”. Executivos e líderes sabem que precisam reavaliar seus ambientes de TI para ajudá-los a preencher as lacunas de habilidades deixadas pela falta de pessoal e, ao mesmo tempo, aumentar a eficiência operacional e de custo.

Como tal, eles estão repensando a estrutura organizacional, a cultura e a estratégia de TI tradicionais e buscando iniciativas que os ajudarão a adaptar a tecnologia a um cenário de negócios em constante mudança. Uma dessas iniciativas são os serviços de gerenciamento na nuvem, capazes de reduzir drasticamente a sobrecarga de TI ao eliminar a necessidade de infraestrutura local.

Em um relatório recente, a IDC estimou que os gastos com tecnologia na nuvem podem chegar a US$ 1,3 trilhão até 2025, movidos pela busca de soluções capazes de conectar a força de trabalho remota e híbrida, proporcionando maior eficiência, flexibilidade e inovação mais rápida. O setor de impressão é um excelente exemplo de como esses tipos de serviços de gerenciamento estão fazendo a diferença para as empresas que lutam para manter uma infraestrutura cara.

Imprimir pode ser difícil devido às complexidades e custos que acompanham a operação e gerenciamento da infraestrutura, os riscos do tempo de inatividade dos processos de negócios e os impactos no usuário final e as preocupações em torno da segurança. Toda essa complexidade requer muita especialização em questões de rede, sistemas operacionais e aplicativos, que podem ser difíceis de encontrar e ainda ser um ponto crítico devido a altos custos.

Ao mudar para uma oferta no modelo de software como serviço (SaaS, na sigla em inglês), quase todo esse requisito conhecimentos especializados é eliminado. Os servidores de impressão também exigem manutenção e administração contínuas e, na era da pandemia, os funcionários precisam de uma solução de impressão que possa se estender para além do local de trabalho físico.

O gerenciamento desses tipos de serviços por meio da nuvem permite que as organizações reduzam significativamente o serviço e o suporte no local, bem como as necessidades de infraestrutura. E, além de ajudar a preencher lacunas críticas nas equipes e talentos de TI, investir nessa abordagem para gerenciar os principais processos de negócios permite que os líderes se concentrem em prioridades mais estratégicas que podem ajudar a impulsionar o crescimento à medida que as empresas se recuperam da pandemia.

À medida que a Grande Renúncia aumenta seu impacto global, os líderes de TI com visão de futuro estão procurando as oportunidades que ela traz. Reservar um tempo agora para entender como as abordagens modernas de TI podem atender às necessidades e demandas de uma organização e força de trabalho nesta nova era de negócios renderá dividendos no crescimento futuro.

(*) – É Gerente de RH Brasil & América Latina da Lexmark (https://www.lexmark.com/pt_br.html).

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