Pandemia no palácio

Heródoto Barbeiro (*)

O presidente está doente. Nem mesmo ele escapa da pandemia que vira o país do avesso.

Há um temor geral que a epidemia tome conta de todo o Brasil como se apossou da capital federal. O vírus veio do exterior e pegou de surpresa as autoridades de saúde. Suspeita-se que é origem chinesa. Há uma confusão geral nos hospitais e casas de saúde e os médicos colaboram com diagnósticos conflitantes que ao invés de acalmar a população, cria pânico.

A mídia dá sua contribuição com entrevistas, reportagens e imagens de pacientes nos centros de saúde e as famílias e amigos aglomerados nos cemitérios. As camadas mais fortalecidas economicamente lotam as estradas em busca de refúgios fora das grandes cidades em fazendas, sítios e casas de campo. As escolas param. O povo pobre das cidades e do campo não tem outra alternativa se não esperar que a doença chegue e faça vítimas entre as família.

Há quem julgue que a pandemia seja um castigo de Deus por pecados cometidos nos últimos tempos, mas ninguém sabe quais são. Não se sabe a origem da doença com certeza, que tipo de pandemia é essa. Há quem afirme que é uma mutação de um vírus que já existe em todo o mundo. Provavelmente passou de aves para seres humanos. Com a intensificação das viagens internacionais a propagação de pandemias se tornou mais rápida com a chegada e saída de passageiros vindos de toda a parte.

Ninguém sabe com certeza em que porta o vírus usou para se espalhar no país. Pelo menos três ondas da doença se abatem sobre a população, mas ninguém sabe com certeza onde e quando vão se manifestar. Laboratórios, universidades, centros de pesquisas são tomados de surpresa e o máximo que podem fazer é iniciar testes e estudos que possam resultar em vacina ou detecção da doença.

O que se tem a mão, no momento, é o uso de máscaras em locais públicos, e a recomendação para não comparecer em ajuntamentos. O vírus se propaga com velocidade e nem mesmo as forças armadas estão imunes à contaminação. Os médicos receitam medicamentos disponíveis mas ninguém pode afirmar que de fato podem curar uma pessoa doente.

Com o presidente alcançado pelo vírus o debate político se intensifica. O governo dele não tem dois anos, e de acordo com a constituição nacional, quando isso acontece o vice não assume para completar os 4 anos de mandato. Diz a lei que tem que convocar novas eleições presidenciais.

É verdade que há uma exceção na história da república. O primeiro presidente, Deodoro, renunciou com apenas oito meses de mandato e o vice, Floriano, ao invés de convocar eleição, assumiu o poder, implantou uma ditadura e permaneceu até o final do mandato. Mas agora os tempos são outros.

O presidente Rodrigues Alves já não vinha bem de saúde mesmo antes de ser reeleito. Afastou-se da política para recuperar a saúde, sem sucesso. Com a propagação da pandemia da gripe espanhola, encontrava-se debilitado, morreu.

O vice Delfim Moreira anuncia que vai cumprir a constituição, ou seja convocar nova eleição para a presidência da república, mesmo com o clima de consternação pela morte de milhares de pessoas e do próprio presidente.

As oligarquias dominantes, o chamado café com leite, vão se manter no poder mesmo com um zunzunzum dos tenentes nos quartéis do exército.

(*) – É editor chefe e âncora do Jornal da Record News em multiplataforma (www.herodoto.com.br).

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