Capitão expulso do Exército

em Heródoto Barbeiro
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Heródoto Barbeiro (*)

A questão é se o capitão deve ou não ser expulso do Exército brasileiro.

Está claro que participou de uma tentativa de golpe de Estado para derrubar um Estado democrático. É acusado de liderar um grupo de militares que pretendia instaurar uma ditadura no Brasil e impedir que o presidente eleito continuasse à frente do governo. Os motivos do golpe são muitos. Vão da suspeita da manipulação do processo eleitoral até a perpetuação das elites do país, que controlavam as atividades políticas e econômicas.

Os militares reunidos estão dispostos a usar a força para mudar os rumos do Brasil e esperam contar com o apoio popular, que, segundo os líderes, basta uma faísca para colocar o processo revolucionário em movimento.

O presidente eleito, encastelado na capital da República, não esconde as suas preferências ideológicas. Está entre aqueles que acreditam que o liberalismo econômico já esgotou as suas vantagens e resta uma maior intervenção do Estado na economia. Essa visão do estatismo aproxima a extrema direita da extrema esquerda, ainda que elas nasceram na Europa por ideologia que se consideram inimigas.

O Exército brasileiro tem participação política desde a proclamação da República e em outros episódios. Há quem diga que ele é um verdadeiro partido verde-oliva. Com a força ao seu lado, os militares têm condições de derrubar o governo, fechar o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.

Não há dúvidas de que o capitão liderou o golpe. Ele articulou rebeliões militares no Nordeste e na capital da República. O modelo divulgado pelo líder do golpe é imitar a Revolução Russa de 1917. O golpe não dá certo. Há uma reação forte das forças leais ao governo e os golpistas são encarcerados ou mortos. Em Recife, pelo menos 720 pessoas morrem no confronto entre governistas e sublevados.

O líder do movimento, o capitão do Exército Luís Carlos Prestes, chefe do Partido Comunista do Brasil. O governo Vargas vive um período democrático em 1935. O levante vermelho dá a Vargas um argumento forte de que precisa mais poderes para impedir que o Brasil se torne um país comunista. Toda a cúpula golpista é presa e trancada na cadeia. Prestes é expulso do Exército e vai passar quase dez anos nas masmorras do Estado Novo, a ditadura de inspiração fascista de Getúlio Vargas.

É libertado em 1945, e se engaja na campanha do QUEREMISMO, ou seja, que Vargas continuasse no governo do Brasil.

(*) – É professor e jornalista, âncora do Jornal Novabrasil, colunista do R7, do Podcast. Mestre em História pela USP e inscrito na OAB. Palestras e midia training. Canal no Youtube (www.herodoto.com.br).