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Rússia bloqueia WhatsApp e força população a usar aplicativo estatal

em Tecnologia
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Segundo o jornal Financial Times, desde a semana passada cerca de 100 milhões de russos tiveram o acesso ao WhatsApp abruptamente cortado. O Telegram teve sua velocidade reduzida e chegou a ser temporariamente suspenso.

Vivaldo José Breternitz (*)

A decisão faz parte de uma ofensiva do Kremlin contra aplicativos estrangeiros de mensagens e busca consolidar o uso do Max, plataforma russa inspirada no modelo chinês WeChat.

O Max já vem pré-instalado nos celulares comprados na Rússia e é promovido por celebridades e educadores. Mas, segundo o portal The Insider, o aplicativo exige que os usuários permitam o compartilhamento de suas atividades com o governo e não oferece criptografia, levantando sérias preocupações sobre privacidade.

O WhatsApp classificou a medida como uma tentativa de “isolar mais de 100 milhões de pessoas de uma comunicação privada e segura” e classificou o Max como um “aplicativo estatal de vigilância”.

O bloqueio ocorre em meio a um cenário de crescente repressão às liberdades civis na Rússia. Desde o início da década de 2020, o país acumulou episódios de endurecimento: apoio à repressão de protestos na Belarus, reformas que consolidaram o poder de Vladimir Putin, a prisão e morte do opositor Alexey Navalny, que teria sido envenenado om uma substância extraída de rãs e, mais recentemente, a censura ampliada após a invasão da Ucrânia.

O governo russo afirma que a decisão busca garantir “soberania tecnológica” e proteger cidadãos contra fraudes e terrorismo. Críticos, no entanto, apontam que o objetivo real é ampliar o controle estatal sobre comunicações privadas.

Se a estratégia for bem-sucedida e a maioria dos russos migrar para o Max, o país dará mais um passo rumo ao isolamento digital e ao fortalecimento da vigilância estatal, um retrocesso profundo para a liberdade de expressão.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].