Por que a tecnologia já não basta?

em A Mente do Cliente
terça-feira, 08 de setembro de 2026

Neiva Dourado Martins Mendes (*)

A vantagem competitiva da Blue6ix nunca foi uma determinada tecnologia; foi construir uma organização capaz de chegar à próxima pergunta antes de o mercado terminar de responder à anterior.

Toda vantagem competitiva tem prazo de validade. Rita Gunther McGrath, diretora acadêmica em Educação Executiva e professora de gestão na Columbia Business School, em seu livro “The End of Competitive Advantage”, afirma que a vantagem competitiva não é mais um lugar aonde você chega e permanece. Por quê? Porque ela expira. Talvez a história da Blue6ix explique bem isso.

Quando gigantes financeiros e de telecomunicações, aqui no Brasil, contratavam empresas de monitorias manuais, nosso time estudava IA e Machine Learning e, em 2017, já trabalhava com analytics por indexação fonética.

Enquanto o mercado tentava criar uma “planilha melhor” para automatizar parcialmente formulários de qualidade, fazíamos outra coisa: transformávamos milhões de interações em insights em 2018, porque o prazer está em descobrir nos dados aquilo que nossos clientes ainda não perceberam sobre seus próprios clientes.

Na época, mudar critérios e pesos de uma monitoria tradicional podia se tornar um transtorno. Nós apostamos em scorecards dinâmicos e dashboards com visões operacionais, estratégicas e comportamentais e com volumes absurdos de análises, e não nas míseras 4 monitorias por operador, uma por semana, isso em 2019!

Muitos protegiam o famoso “pulo do gato”. Desde 2020, produzimos conteúdo mostrando como pensamos e fazemos, porque acreditamos que a nossa vantagem não é um segredo que precisa ser escondido. Na verdade, nosso conhecimento é compartilhado para que o aprendizado seja contínuo.

Quando a Inteligência Artificial virou “moda”, nós já estávamos olhando para além dela, porque sabíamos que a IA não vive sem a riqueza do repertório humano. Mergulhamos de cabeça em neurociência, conectamos dados com ciclo circadiano, score de ansiedade, emoção, fome e reclamações, vieses cognitivos, mapa da exaustão, pico-fim, paradoxo da escolha, novas tecnologias e novas formas de compreender pessoas.

É nesse ponto que McGrath e Blue6ix se encontram. A verdadeira vantagem não é só possuir uma tecnologia. Funcionalidades e dashboards são copiados, descontinuados, mortos e enterrados. A vantagem está na capacidade de criar a próxima antes que a atual deixe de importar.

Estamos caminhando para o 9º ano da empresa e não queremos passar os próximos nove contando o que fizemos nos primeiros, porque nosso maior ativo não é uma plataforma de tecnologia, mas são as mentes que residem aqui. Mentes inquietas, multidisciplinares, curiosas e suficientemente inconformadas para questionar inclusive o que nós mesmos criamos.

Para encerrar este artigo, deixo aqui 4 cuidados que toda empresa deve ter e um recado para o mundo corporativo:

1) Se a sua transformação digital apenas transformou formulário em tela, cuidado.

2) Se você chama automação de inovação porque eliminou alguns cliques, cuidado.

3) Se sua empresa acabou de “descobrir IA” e acredita que agora está preparada para o futuro, cuidado.

4) E se a melhor explicação para continuar fazendo alguma coisa é “sempre fizemos assim”, cuidado em dobro.

O passado pode explicar por que sua empresa chegou até aqui, mas não tem obrigação nenhuma de levá-la daqui para frente. Na Blue6ix, não queremos proteger uma vantagem competitiva, queremos continuar criando a próxima.

(*) Presidente do Conselho e sócia-fundadora da Blue6ix Tecnologia ([email protected]).

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