Confiança se torna principal desafio da IA no recrutamento, aponta pesquisa do Indeed

em Carreira e Mercado de Trabalho
segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Embora 57% dos brasileiros apoiem o uso da inteligência artificial em processos seletivos, candidatos defendem transparência e participação humana nas decisões de contratação

Nos últimos anos, a inteligência artificial deixou de ser uma novidade no recrutamento e passou a fazer parte da rotina de empresas e candidatos. Com presença cada vez maior nos processos seletivos, surge uma nova discussão: até onde a tecnologia deve participar das decisões de contratação? É o que revela uma pesquisa do Indeed, o site de empregos nº 1 do mundo e líder para contratações. Embora 57% dos brasileiros entrevistados sejam favoráveis ao uso da inteligência artificial pelas empresas em processos seletivos, a aceitação da tecnologia não significa confiança irrestrita.

Os dados mostram que os candidatos reconhecem o potencial da IA para tornar o recrutamento mais eficiente, mas continuam atribuindo às pessoas a responsabilidade pelas decisões que podem definir suas carreiras.

Entre os entrevistados, 44% afirmam ter receio de serem eliminados automaticamente sem uma avaliação justa, 42% demonstram preocupação com a redução do contato humano durante o recrutamento e 37% temem que a tecnologia cometa erros ao avaliar candidatos. Ao mesmo tempo, metade dos trabalhadores (50%) afirma que confiaria mais em um processo seletivo se a decisão final de contratação contasse com participação humana. Outros 41% gostariam que as empresas deixassem claro quais etapas são conduzidas por inteligência artificial e quais permanecem sob responsabilidade dos recrutadores, enquanto 34% dizem querer entender exatamente como a tecnologia é utilizada ao longo do processo.

De acordo com Lucas Rizzardo, diretor de vendas do Indeed no Brasil, os resultados mostram que a discussão sobre inteligência artificial no recrutamento entrou em uma nova fase. “Os dados mostram que eficiência, sozinha, já não basta. À medida que a IA ganha espaço no recrutamento, cresce também a expectativa dos candidatos por processos mais transparentes. Para as empresas, isso significa que a adoção da inteligência artificial precisa vir acompanhada de boas práticas, como deixar claro onde a tecnologia é utilizada, manter os recrutadores envolvidos nas decisões mais sensíveis e comunicar os critérios de avaliação ao longo da seleção. Esse equilíbrio é o que ajuda a construir confiança.”, afirma.

O debate deixou de ser sobre adoção
Um dos resultados mais interessantes da pesquisa mostra que a discussão não é sobre ser contra ou a favor da inteligência artificial. Mesmo entre os entrevistados que dizem não apoiar o uso da IA pelas empresas durante processos seletivos, 57% utilizam a tecnologia em pelo menos uma etapa da própria busca por emprego. Apenas 24% acreditam que a inteligência artificial não deveria participar de nenhuma fase do recrutamento.

76% dos entrevistados aceitam algum nível de participação da IA no processo seletivo, principalmente em atividades operacionais. O apoio cai drasticamente, porém, quando a tecnologia passa a tomar decisões: apenas 6% desse grupo apoiam que a inteligência artificial seja responsável pela decisão final de contratação.

“Os resultados indicam que a resistência não está necessariamente na tecnologia, mas na autonomia que ela deve ter durante o recrutamento. Para muitos, a IA é bem-vinda quando serve para aumentar a eficiência do processo, desde que o julgamento humano continue presente nos momentos decisivos”, completa Rizzardo.

Futuro do trabalho
As preocupações dos brasileiros com a inteligência artificial vão além do recrutamento. Para os entrevistados, a tecnologia deverá provocar mudanças significativas no mercado de trabalho nos próximos anos.

Entre os principais impactos esperados estão a redução de empregos em algumas áreas (36%), o aumento da dependência da tecnologia nas atividades profissionais (35%) e a necessidade de maior qualificação para acompanhar as transformações trazidas pela IA (30%).

Na avaliação do Indeed, esse cenário mostra que o avanço da inteligência artificial deve ampliar o debate sobre a forma como a tecnologia é incorporada às relações de trabalho. À medida que ferramentas baseadas em IA ganham espaço tanto no recrutamento quanto na rotina profissional, fatores como transparência, comunicação clara e participação humana tendem a se tornar cada vez mais importantes para fortalecer a confiança dos trabalhadores e promover uma adoção equilibrada da tecnologia.

Metodologia
O estudo foi realizado com 1.014 trabalhadores brasileiros. A pesquisa foi conduzida por meio de um questionário online aplicado em 27 de maio de 2026. A amostra foi composta por 52% de mulheres e 48% de homens. Entre os respondentes, 25% tinham entre 18 e 27 anos (Geração Z), 35% entre 28 e 45 anos (Millennials), 27% entre 46 e 61 anos (Geração X) e 13% tinham 62 anos ou mais (Baby Boomers).