A nova alfabetização do mercado de trabalho será em inteligência artificial, afirma especialista

em Carreira e Mercado de Trabalho
quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Enquanto empresas investem na adoção de IA, desafio deixa de ser apenas disponibilizar a tecnologia e passa a ser preparar profissionais capazes de trabalhar com ela no dia a dia

Durante décadas, saber usar um computador foi considerado um diferencial. Depois, tornou-se um requisito básico para praticamente qualquer profissão. O mesmo aconteceu com a internet, o pacote Office e as plataformas de colaboração online. Agora, uma nova competência começa a seguir esse caminho: trabalhar com inteligência artificial.

Na avaliação de Felipe Maffezzolli, fundador da HubXP, consultoria especializada em desenvolvimento de software e projetos de inteligência artificial para empresas, a IA deixará de ser vista como uma habilidade restrita às áreas de tecnologia e passará a fazer parte das competências básicas exigidas em praticamente todas as profissões.
“Daqui a poucos anos, perguntar se um profissional sabe trabalhar com inteligência artificial será tão natural quanto perguntar se sabe usar uma planilha ou fazer uma pesquisa na internet. Não dominar essa tecnologia deixará de ser um diferencial e passará a ser uma limitação profissional”, afirma.

A transformação acontece em um momento em que a inteligência artificial deixa de ser uma tecnologia experimental e passa a fazer parte da rotina das empresas. Segundo o AI Index Report 2025, da Universidade Stanford, 78% das organizações já utilizam algum tipo de inteligência artificial em suas operações, um salto significativo em relação aos anos anteriores.

Para Maffezzolli, esse movimento muda completamente a discussão sobre qualificação profissional.

O problema não é aprender a usar uma ferramenta
Na visão do especialista, existe um equívoco em reduzir a capacitação em IA ao aprendizado de plataformas específicas.

“Não estamos falando de decorar comandos ou aprender um único aplicativo. As ferramentas vão mudar muito rápido. O que permanece é a capacidade de entender onde a IA gera valor, como fazer as perguntas certas, interpretar os resultados e tomar decisões melhores.”

Segundo ele, praticamente todas as áreas das empresas já convivem com atividades que podem ser aceleradas pela inteligência artificial.

Profissionais de marketing utilizam IA para criar campanhas e analisar dados. Advogados pesquisam jurisprudências e revisam documentos. Equipes comerciais automatizam propostas. Recursos Humanos apoiam processos seletivos. Financeiro e operações utilizam ferramentas para organizar informações e identificar padrões.

“O profissional que ignora a IA não está competindo contra a tecnologia. Está competindo contra outro profissional que produz o mesmo resultado em metade do tempo porque aprendeu a utilizá-la.”

A próxima vantagem competitiva será humana
Apesar do avanço da tecnologia, Maffezzolli acredita que a principal vantagem competitiva continuará sendo das pessoas.

Segundo ele, à medida que a inteligência artificial democratiza a execução, habilidades como pensamento crítico, repertório, criatividade e capacidade de decisão ganham ainda mais importância.
“Todo mundo terá acesso às mesmas ferramentas. O diferencial não será possuir IA, mas saber utilizá-la melhor que os outros.”

Para ele, esse cenário exige uma mudança também das empresas.

“Comprar uma licença de IA é relativamente simples. Difícil é transformar a cultura da organização. As empresas precisam ensinar onde a tecnologia faz sentido, quais são seus limites e quais decisões continuam sendo responsabilidade das pessoas.”

A alfabetização em IA começa agora
Na avaliação do fundador da HubXP, organizações que começarem a desenvolver essa competência desde agora terão uma vantagem semelhante à das empresas que iniciaram seus processos de digitalização antes da concorrência.

“O mercado não vai perguntar se você gosta de inteligência artificial. Vai perguntar se você consegue trabalhar com ela. A discussão deixou de ser tecnológica e passou a ser sobre empregabilidade.”

Para ele, a inteligência artificial não substituirá indiscriminadamente os profissionais, mas ampliará a vantagem daqueles que aprenderem primeiro a incorporá-la ao próprio trabalho.

“Quem enxergar a IA apenas como uma ferramenta corre o risco de ficar para trás. Quem aprender a trabalhar junto com ela terá mais capacidade de produzir, inovar e resolver problemas. Essa será uma das competências mais importantes da próxima década.”