Segurança e mobilidade urbana

Marco Antônio Barbosa (*)

De acordo com informações do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), estima-se que, por volta de 2030, 90% da população brasileira viverá nas grandes cidades.

Para se ter uma ideia, no início do século 20, a população urbana era de somente 10%. Esta perspectiva representa um crescimento pouco planejado, principalmente em longo prazo e sem compromisso com qualidade na gestão dos grandes centros. O aumento desordenado da população também se reflete no trânsito. Como o Brasil, outros países em desenvolvimento também apresentam altos índices de acidentes nas ruas e estradas porque, de maneira geral, as pessoas contam com maior poder aquisitivo para comprar veículos, porém, em contrapartida, as cidades sofrem com a falta de planejamento.

Atualmente, a precária qualidade da mobilidade observada na maior parte de nossas cidades tem repercussões sobre a produtividade média dos trabalhadores. Do ponto de vista sustentável, a cidade ideal não é mais aquela em que se gastam cerca de três horas para se deslocar de um ponto a outro, além de contar com escassas e caras opções de estacionamento. Com isso, problemas e acidentes de trânsito afetam não apenas as grandes metrópoles, mas também as de porte médio e pequeno. Dados da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) indicam que tais acidentes geram, anualmente, um prejuízo de R$ 40 bilhões aos cofres brasileiros.

Segundo informações do Fórum Internacional de Transporte (ITF), são necessárias três frentes para atuar de forma a reduzir a problemática do trânsito nas principais cidades: combate ao excesso de velocidade, estímulo ao uso de cinto e outros acessórios de segurança e ainda a punição aos motoristas e usuários das vias que não obedecem às regras básicas do tráfego.

Como ferramenta, as mais recentes implementações tecnológicas são desenvolvidas para apoiar as iniciativas em prol de uma mobilidade urbana melhor e mais segura. Automatizadores para portões e pilares automáticos, além de soluções modernas de parqueamento, permitem a gestão do espaço público de forma atualizada, garantindo mais segurança a motoristas e pedestres. Os pilares automáticos, em específico, podem até ser vistos em funcionamento em recentes produções do cinema como o longa metragem Terremoto: a Falha de San Andreas, lançado em maio deste ano.

É fundamental planejar o transporte para o comércio, serviços, indústrias, educação e lazer. Sem uma visão de longo prazo, além do desperdício de recursos, os problemas de mobilidade tendem a se agravar. Países que investiram em soluções para o trânsito, como Portugal, Espanha e Irlanda, conseguiram reduzir o número de acidentes em até 50%.

O notório inchaço urbano obriga, com urgência, a harmonia e agilidade para o deslocamento de bens e pessoas com eficiência, conforto e segurança além de colaborar para a redução dos impactos ambientais, visuais e de poluição sonora e atmosférica, ressaltando também modelos de minimização da exclusão social. A solução do problema exige, além de vontade política, um pacto amplo que relacione poder público, usuários das diferentes redes de transporte e setor empresarial que oferece tais serviços.

Devemos estruturar melhor a sociedade civil para construirmos o país que queremos.

(*) – Especialista em controle de acesso e diretor da CAME do Brasil, possui mestrado em administração de empresas, MBA em finanças e diversas pós-graduações nas áreas de marketing e negócios.

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