Qualidade de vida e finanças pessoais: como fazer um planejamento para 2021

Edson Moraes (*)

O final do ano se aproxima e é comum aproveitarmos este período para avaliar resultados, rever planos e definir metas para o ano seguinte.

Se esta atividade pode ser complicada em anos sem eventos excepcionais, como lidar com este planejamento em meio a uma pandemia? Independentemente de qualquer circunstância, quem busca estabelecer uma forma de gerir suas finanças, conscientemente, deve iniciar esse processo investindo algum tempo buscando identificar qual a qualidade de vida desejada.

Que tal aproveitar positivamente o aprendizado deste período de isolamento forçado e pensar no que realmente faz sentido? Estes últimos meses serviram para uma revisão de valores? Como quero viver no próximo ano? Aonde quero chegar no futuro? Qualidade de vida é algo difícil de explicar, pois é percebido quase que intuitivamente, de uma forma muito sutil.

Talvez por compreender aspectos diversos como saúde física, estado emocional, nível de independência, crenças, nível de educação, relações sociais em casa e no trabalho, interações com o meio social onde se está inserido e até mesmo a relação com o meio ambiente, raramente paramos para pensar na qualidade de vida que buscamos.

Para a OMS, qualidade de vida é “a percepção que um indivíduo tem sobre a sua posição na vida, dentro do contexto dos sistemas de cultura e valores nos quais está inserido e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”.

Neste sentido, é possível afirmar que qualidade de vida é a nossa satisfação com o viver quotidiano. A forma como percebemos nossa relação com o mundo no qual estamos inseridos. Um mundo que, às vezes, sofre com uma pandemia.

A gestão de finanças pessoais deveria sempre partir da perspectiva da qualidade de vida desejada e dos objetivos que buscamos. A partir destes elementos, trabalhamos a relação com o dinheiro. A chegada de um novo ano é um marco interessante, um bom momento para esta reflexão e planejamento. Sendo assim, de forma pragmática, deve-se buscar respostas para algumas questões, nesta ordem:

. Qual qualidade de vida que busco? Qual o padrão de vida associado a esta qualidade de vida?
. Quanto custa este padrão de vida? Quais os gastos correntes e as dívidas já acordadas?
. Quais são os objetivos de curto, médio e longo prazos? Quanto eles custarão?
. Qual a situação financeira atual? Quais as receitas recorrentes? Há investimentos?
. Quais as reservas necessárias para o custeio do dia a dia, emergências e demais projetos?
. Como aumentar os ganhos para cobrir o custo de vida ou ampliar a velocidade para realizar os projetos desejados?
. Qual a estratégia para reduzir despesas e diminuir eventuais dívidas? É possível refinanciá-las?

Uma vez respondidas essas questões, deve-se manter uma reserva para as emergências, pois elas ocorrerão, certamente. Pode ser a oportunidade de compra de algum bem com preço diferenciado ou a pane num eletrodoméstico que necessitará de reparos. Para manter o controle no dia a dia, é importante listar os gastos, revisá-los periodicamente e planejar as compras, seja uma ida ao supermercado, uma viagem ou mesmo a aquisição de algo mais significativo, como um carro ou uma casa.

Desenvolver o hábito de registrar as despesas cria um estado de observação constante, o que facilita a gestão. A organização financeira depende de um estado de consciência que se adquire durante a reflexão sobre todos os pontos descritos acima.
Uma vez definidos os objetivos e os valores correspondentes, o trabalho passa a ser direcionado para o processo de gestão financeira pessoal, algo que deve ser realizado rotineiramente, para que possam ser apurados os resultados e resolvidos os desvios que certamente ocorrerão no caminho.

Tudo isto implica em um processo de autoconhecimento e ressignificação de valores, principalmente aqueles ligados às finanças. O desafio é perceber os benefícios associados ao estado de consciência que se atinge quando conhecemos o nosso funcionamento com o dinheiro. É muito mais simples do que aparenta, com ou sem pandemia.

(*) – Formado em Comunicação Social, Jornalismo pela PUC/SP, Master em Project Management pela George Washington University, é sócio do Espaço Meio (https://espacomeio.com.br).

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