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O RESET E A DESCONEXÃO DO SER HUMANO

em Artigos
quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

Tudo gira em torno do dinheiro, seja no Capitalismo Ocidental de iniciativa privada, ou no Capitalismo de Estado, que centraliza o controle de todas as atividades. O dinheiro deve promover o crescimento econômico, a melhora das condições gerais de vida e o aprimoramento da qualidade humana. O Brasil produz e vende alimentos em natura e commodities, mas fabrica poucos itens, tendo de mandar o dinheiro para fora para importar de tudo.

Na gestão do Estado-Nação, o dinheiro público se tornou o chamariz, o butim. Isso tem de acabar. O dinheiro some, as dívidas aumentam, as condições gerais de vida se precarizam. Esse cenário vai acabar empurrando o Estado-Nação para o abismo. As importações estão aumentando. Fábricas fechando. Empregos de melhores salários desaparecendo. Renda caindo afetando as vendas até dos supermercados. Dizem que muito dinheiro está sendo sugado pelas bets.

A globalização concentrou a produção na China, mas as nações não podem ficar sem produzir e gerar empregos e especializações para melhorar a renda dos trabalhadores, em vez de ficar criando auxílios que colocam dinheiro no bolso das pessoas. Há intensa movimentação financeira envolvendo dólar, euro, iene e yuan; é como se fosse o brinquedo banco imobiliário, mas a realidade das finanças parece ser um jogo bem mais perigoso. A movimentação diária do mercado de câmbio é de cerca de US$ 9,6 trilhões, o que parece indicar que chegamos ao surrealismo financeiro.

A economia global produz cerca de US$ 110 trilhões por ano. O mercado de câmbio movimenta quase 10% disso em um único dia. Esse número causa inquietação, cria a imagem de um perigoso castelo de cartas movido por ganância. Mais de 70% das operações de câmbio são executadas por algoritmos de alta frequência que não têm medo, não têm ética, não têm prudência, pois seguem padrões matemáticos.

A raiz da inquietação está na própria estrutura do dinheiro dissociada do cotidiano dos seres humanos e da finalidade da vida. O dinheiro se tornou o ídolo insensível que está arrastando tudo. Os fatores da sustentação e as instituições conseguem manter uma certa normalidade com decisões que geram mais inflação e mais desvalorização da moeda. A evolução dos acontecimentos está nos conduzindo para o tempo em que o anormal está se tornando normal, mas há um limite que não está muito distante.

Parece que estamos diante de um “buraco negro”. Sabemos que há perigo, mas não dá para enxergar o futuro com nitidez; os homens no poder também percebem isso, o perigo é que se adaptaram às transformações impostas pelo dinheiro, e sem visão clara do todo, poderão se tornar os agentes de ações que irão desestruturar a frágil segurança e o equilíbrio do sistema, gerando algo mais profundo do que a crise de 1929.

O maior risco está no próprio ser humano que, apesar de tantas universidades e tecnologia, está com visão mais estreita do que os homens do passado que, de certa forma, reconheciam e respeitavam as leis universais da natureza. A humanidade acabou se adaptando ao movimento do dinheiro seguindo o ritmo imposto por ele. A situação é grave. Em meio a essas engrenagens em movimento pouco podemos fazer; só nos resta aguardar atentamente o desenrolar para não sermos triturados.

O Reset global está em andamento? Parece que sim. Os algoritmos e a IA estão facilitando a mexida na cabeça dos seres humanos, introduzindo o superficialismo geral sobre a vida, removendo o pouco de sabedoria que ainda resta. O movimento é dinâmico envolvendo muitas forças. Os homens podem tomar decisões, mas não têm o controle das engrenagens que seguem o ritmo da natureza de acordo com os impulsos criados pela própria vontade dos homens.

A lei do equilíbrio e a lei do movimento não podem ser postas de lado. O corpo do ser humano precisa de pão para se alimentar, mas o espírito necessita do pão espiritual, da Luz da Verdade para entender a finalidade da vida. O grande problema é que as pessoas estão rompendo a conexão da sua alma, o manto do espírito, com o cérebro.

Um reinício não terá bom efeito se não acompanhar o fluxo das leis naturais universais, reconectando o ser humano com a própria alma, restabelecendo a conexão do cérebro com a essência espiritual, restabelecendo a capacitação para analisar o que se passa a sua volta, e a livre escolha de sua vontade voltada para o bem geral. É nisso que reside o segredo do progresso harmonioso da humanidade.

(*) Graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP. Coordena os sites https://vidaeaprendizado.com.br/ e https://library.com.br/home/ . E-mail: [email protected]