O crescimento da participação chinesa no setor energético brasileiro

Gilberto Zucatti Pritsch (*)

Mesmo diante da crise econômica mundial a China não deve parar de investir no Brasil.

Com uma previsão de crescimento de 6,8% do PIB em 2015 (estimada pelo FMI), a pior taxa em 25 anos, os chineses continuam procurando ativos para comprar e oportunidades no setor energético brasileiro. Em recente visita ao Brasil, o primeiro-ministro da China Li keqiang assinou 35 acordos de cooperação em oito áreas num total de US$ 53 bilhões de investimentos, envolvendo entre outras áreas a de energia e, entre os acordos, está previsto a cooperação para financiamento de projetos da Petrobras no valor de R$ 5 bilhões.

No setor de petróleo e gás o Brasil não era observado pelas empresas chinesas até poucos anos atrás, contrariando uma forte expansão internacional destas empresas. Foi com a descoberta do pré-sal, criando um grande potencial exportador de petróleo do país, que em especial as empresas petrolíferas chinesas começaram a se interessar pelo setor energético brasileiro.

Nos últimos cinco anos as quatro grandes empresas petrolíferas estatais chinesas entraram no mercado brasileiro diante principalmente da perspectiva de exportação de petróleo para a China, e, passaram a ser vistas como uma importante fonte para o investimento no negócio de petróleo nacional uma vez que são grandes as necessidades de financiamento das atividades de prospecção e exploração no Brasil.

Em 2010 a Sinopec comprou 40% dos ativos da Repsol Brasil e 30% da Galp Brasil, e a Sinochem adquiriu 40% do campo de Peregrino, cujas reservas recuperáveis são estimadas em 300 a 600 milhões de barris de petróleo pesado.

Em 2013 a CNOOC e a CNPC adquiriram, cada uma, 10% de participação do consórcio vencedor do leilão do campo de Libra, cujas reservas são estimadas entre oito bilhões a doze bilhões de barris. Assim, a participação das empresas chinesas já é importante na produção diária de petróleo e gás, e tende a crescer rapidamente diante da participação que estas empresas detêm no cenário nacional.

No setor elétrico a State Grid que é a maior empresa de transmissão de energia elétrica e de distribuição na China e no mundo, já é a responsável pela maior parte da operação da rede elétrica nacional. A State Grid em 2010 escolheu o Brasil para a realização do primeiro grande investimento do conglomerado em países não-asiáticos. A State Grid Brazil Holding adquiriu sete companhias nacionais de transmissão de energia, ao custo de US$ 989 milhões.

Recentemente, ocorreu a vitória da State Grid no leilão que licitou o segundo linhão de transmissão de Belo Monte, que representa R$ 7 bilhões em investimentos necessários para o projeto. Os especialistas apontam que além de esperarem uma forte participação chinesa nos em linhões que o governo pretende licitar até o começo de 2016, o gigante asiático, antes concentrado em transmissão, também está interessado nos ativos de geração, com foco principalmente em energias renováveis como a eólica.

De fato os chineses estão com capital e procurando ativos atrativos para investir, pois viram que o mercado brasileiro está crescendo a taxas atrativas e está carente de novos investimentos, encontrando excelentes oportunidades no setor energético.

(*) – É advogado do escritório Lapa &Góes e Góes Advogados Associados e pós-graduado em Processo Civil pela UFBA e em Direito Público pelo Jus Podivm/Unyanha.

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