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Melhorar o presente para garantir um futuro positivo para a IA

em Artigos
quarta-feira, 10 de abril de 2024

Antonio Lacerda (*)

Somos uma geração de transição – a geração “T”! Estou brincando com o nome das gerações, mas é assim que poderia definir minha sensação ao deixar o encontro de inovação South by Southwest (SWSX), realizado recentemente em Austin, Estados Unidos.

Como se estivesse em uma viagem longa, intensa e repleta de novidades, porém sem saber qual o destino. Por lá ficaram também para trás muitas amarras e dogmas do passado. Foi um encontro grandioso, que reuniu mais de 300 mil pessoas de cerca de 100 países.

Com a Inteligência Artificial (IA) novamente roubando as atenções, a sensação é que iniciamos a jornada em um caminho cheio de incertezas onde o papel do ser humano na interação com essa tecnologia é fundamental. Mas deveria ser acompanhado de perto, e talvez até passar por algum tipo de controle, como já tem sido discutido.

Sem dúvida a IA traz um universo de oportunidades e hoje a sociedade precisa estar mais conectada – porém conexões verdadeiras e intencionais. A chamada “intimidade falsa” nos leva ainda mais rápido a um mundo irreal onde os valores não têm propósito. Posso ter milhares de amigos virtuais, mas ninguém para conexões e trocas reais, para dividir e somar nos momentos importantes ou corriqueiros.

Estou trazendo isso porque as interações artificias moldam uma inteligência artificial com base numa sociedade também artificial. A IA é fruto do nosso pensamento coletivo, seja ele consciente ou inconsciente. E é aí que ela revela preconceitos, desigualdades, dissonâncias, conflitos da sociedade. Por isso a importância de desenvolvermos nossas mentes, nossos pensamentos, para que nosso legado mental seja construtivo, colaborativo, inclusivo e voltado para a sustentabilidade do planeta.

Um mundo com menos diferenças no futuro com IA, se constrói hoje, no mundo real. E esse movimento é ainda mais importante se pensarmos que, no futuro nossas mentes serão codificadas e armazenadas – assustador, não? Mas será realidade.

Existe uma linha de pensamento de que esta seria a era dos generalistas criativos, aqueles que não são especialistas em apenas em um assunto, mas com a ajuda de IA poderiam usar sua inteligência e criatividade para fazer o melhor uso possível das informações provenientes das ferramentas.

Aquelas pessoas e empresas que mais rápido se ajustarem a essa realidade terão uma vantagem competitiva sobre outras que serão mais lentas em enxergar os desafios e oportunidades por trás do rápido avanço de IA.

Precisamos aprender a pilotar uma realidade, um novo mundo, onde a tecnologia não vai desacelerar. Onde a incerteza será nossa única certeza. Os profissionais de sucesso serão aqueles e aquelas que se adaptarem mais rápido e enxergarem oportunidades, especialmente as menos óbvias.

Essa busca é catalisada por mentes que estão continuamente insatisfeitas, que focam sua energia, não somente em entender os problemas, mas principalmente em buscar soluções. Isso reforça nosso comprometimento de customer intimacy, fazendo que nossos produtos e soluções levem valor real aos nossos clientes, criando um vínculo forte, verdadeiro. Ética e responsabilidade são temas cada vez mais presentes nas discussões, somado à questão da privacidade.

Como tratar estes temas de forma comprometida e, ao mesmo, tempo sabendo que a velocidade de transformação é exponencial e sem uma direção clara? Cabe a cada um de nós discutir e agir, com rigor e desde já, para que todo o potencial da Inteligência Artificial seja utilizado para o bem da humanidade e do planeta.

(*) – É vice-presidente sênior de Químicos da BASF para a América do Sul (https://www.basf.com).