Governo enxuga gelo e déficit primário expõe fragilidades de comando

Reginaldo Gonçalves (*)

A política governamental está cada vez pior. De um lado temos a Presidente Dilma; de outro, os ministros do Planejamento e Economia que, a cada medida, apresentam comportamentos adversos.

Todos vivem da pior forma a complicada situação econômica. As empresas estão cada vez mais estrangulando o caixa, deixando de investir e demitindo. O governo promete fazer algo para conter gastos, mas nada surge. Apresentar um orçamento com déficit primário é no mínimo uma estratégia suicida. E o que mais chama a atenção é o ministro do Planejamento dizer que trata-se de um orçamento realista. Isso é a mesma coisa que passar um cheque em branco para gastar mais do que arrecada e aumentar a dívida pública.

A alternativa, então, é fazer pressão para o retorno da CPMF. Uma contribuição criada para arrecadar dinheiro para a Saúde. Na realidade o governo vai cobrar de todos os brasileiros para financiar desmandos.
Como a pressão é grande, o governo já articula aumento de impostos que incidem em outros produtos – como por exemplo bebidas, cosméticos, entre outros, além da mudança da desoneração da folha de pagamento, que vai aumentar sensivelmente a cobrança dos encargos sociais e gerar mais dificuldades financeiras nas empresas e redução nos postos de trabalho.

Pensar em um déficit primário de R$ 30,5 bilhões não é somente assumir uma responsabilidade de gastar mais, mas, com uma mudança, a canetada usada em busca de um superávit primário de 1,1% do PIB e que agora não passa do 0,15%, no mínimo é falta de bom senso e responsabilidade. A proposta de aumento de impostos para cobrir os mandos e desmandos vai ser a mesma coisa que dar uma toalha para enxugar gelo. Ou seja, quanto maior o imposto, menor o número de empresas pagando, já que muitos empreendedores estão desistindo dos seus negócios e, além de ter dívidas financeiras, estão deixando de pagar tributos.

Como era de se esperar, o atual ministro da Fazenda, com suas propostas não aprovadas e desgastado, já vem evidenciando que está fragilizado. A meta de continuar mantendo a condição do governo soberano em um patamar de investimento, bom pagador, a qualquer momento, pode ruir por inércia do próprio governo. A qualquer momento as agências de avaliação de risco podem rebaixar a nota do Brasil e os empréstimos de bancos estrangeiros ficarão mais caros pelo risco oferecido não somente pelo País, mas pelas empresas que estão estabelecidas e que dependem de financiamento para produzir – seja externo ou interno.

A falta de responsabilidade política está chegando ao abismo. Se não houver uma sensibilização e transparência na condução dos negócios, passaremos por situações piores que poderão ir além de 2016.

(*) – É coordenador do curso de Ciências Contábeis na Faculdade Santa Marcelina (FASM).

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