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Em tempos de layoff, perfil de liderança em tecnologia é outro

em Artigos
terça-feira, 05 de maio de 2026

Thiago Xavier (*)

As demissões no setor de tecnologia continuam em alta em 2026. Com foco intenso na reestruturação para adoção de Inteligência Artificial (IA) e otimização de custos, empresas de diversos os portes e segmentos tem feito cortes expressivos.

Um estudo conduzido no primeiro trimestre pela Wide, empresa de recrutamento e seleção, com mais de 180 profissionais das áreas de Design, Produto e Tecnologia, revela que o diferencial competitivo migrou para líderes capazes de conectar estratégia, execução e influência organizacional de forma integrada.

Essa transformação impacta diretamente variáveis críticas para o negócio, como velocidade de execução, time-to-market, eficiência operacional, capacidade de inovação e atração de talentos – fatores hoje determinantes para o sucesso empresarial.

Em um cenário cada vez mais dinâmico, um novo perfil de liderança ganha espaço. O estudo destaca que os líderes mais valorizados no mercado possuem competências que vão além do domínio técnico.

É preciso desenvolver também atributos como conexão consistente entre estratégia e execução; tomada de decisão em ambientes ambíguos; capacidade de influenciar múltiplos stakeholders; agilidade com qualidade na tomada de decisão, além de formação de novos líderes e escalabilidade de times. Na prática, o diferencial competitivo está na capacidade de transformar estratégia em resultado concreto, especialmente em ambientes complexos e de alta velocidade.

O levantamento aponta que mais de 60% dos líderes analisados têm origem em ambientes digitais, fintechs e empresas de tecnologia, onde a maturidade em Inteligência Artificial, agilidade e tomada de decisão é mais avançada.

Por outro lado, setores mais tradicionais e regulados se destacam pela robustez em governança e controle, mas ainda enfrentam desafios relacionados à velocidade e integração. Esse cenário amplia o gap competitivo entre organizações com estruturas mais ágeis e aquelas que operam de forma fragmentada.

Outro ponto central do estudo é a necessidade de integração entre Design, Produto e Tecnologia como motor de resultados. Nesse modelo, o Produto atua como tradutor da estratégia em execução, conectando discovery, delivery e decisão. A Tecnologia impulsiona escala, eficiência e vantagem competitiva e, o Design reduz ambiguidades e acelera decisões com foco no usuário e no negócio.

O uso de IA aparece como elemento transversal, acelerando ciclos de desenvolvimento e apoiando decisões estratégicas. Contudo, cultura organizacional e autonomia também impactam diretamente os resultados.
A performance das organizações está fortemente ligada à velocidade de decisão, autonomia dos times e qualidade da integração entre áreas.

E, entre os principais fatores de sucesso estão a decisão clara em cenários incertos, times com autonomia real e accountability, além de comunicação fluida e execução coordenada. Modelos com baixa autonomia e decisões lentas comprometem diretamente a inovação, a eficiência operacional e a retenção de talentos.

Com isso, o recrutamento executivo precisa evoluir. A contratação de lideranças passa a exigir uma abordagem mais estratégica. A avaliação executiva deve considerar aderência ao contexto de negócio e cultura, a capacidade de integrar estratégia, execução e influência, incluindo a qualidade da tomada de decisão em ambientes complexos e a experiência prática em cenários de alta incerteza.

A ausência dessa integração resulta em decisões mais lentas, menor eficiência e perda de competitividade. Obviamente, algo que ninguém quer para sua empresa.

(*) – É headhunter e sócio da Wide Executive Search (https://wide.works/).

O que as empresas devem aprender com os layoffs – Jornal Empresas & Negócios