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Movimento Violência Sexual Zero completa um ano e chama à participação

em Manchete Principal
terça-feira, 05 de maio de 2026

Já são 210 empresas engajadas, mas espera-se mais.

Redação

A assistência e o acolhimento são fundamentais para quem sofre violência sexual. E isto é feito, em boa parte das vezes. Mas uma pergunta não quer calar: “Será que não poderíamos ter feito mais?”. Incômoda, a questão foi colocada de forma objetiva durante ato de comemoração ao primeiro ano do Movimento Violência Sexual Zero, realizado na noite do último dia 4, no Masp. Várias figuras de proa da sociedade civil como Laís Peretto, Luciana Temer, Ernesto Pousada, Lilian Mancuso e o maestro Edilson Ventureli estiveram presentes e concordaram que “sozinhos, não conseguiremos mudar o status quo. É preciso um esforço coletivo de toda a sociedade civil”. No Brasil estima-se que 8 milhões de pessoas sejam afetadas, direta e indiretamente, por esta prática repugnante. O alvo preferencial dos criminosos são crianças na faixa dos 10 aos 14 anos. A média apurada é de 57 ataques por dia! É passada a hora de mais e mais pessoas botar a mão na massa, assumindo o papel de agente de proteção contra a violência sexual.     

“Nos engajamos desde a sua criação, porque os números da violência sempre assustam”, disse Ernesto Pousada, CEO da Vibra Energia, uma das 210 companhias integradas à iniciativa (https://violenciasexualzero.com.br/). Destacou que o total de pessoas envolvidas, via empresas, supera os dois milhões (entre as 210 estão Cyrela, Instituto Sabin, ChildHood, Banco do Brasil, Bradesco, Santander, Vibra, Vivo, APAE Brasil, Scania, jornal Empresas & Negócios…). Só para ficarmos em um número, 38 bebês nascem por dia como consequência de estupros, no Brasil. Destes 13.870 que vêm à luz em um ano, 70% têm mães menores de 14 anos, comentou Alexandra Segantin, CEO do “Mulheres do Brasil”.

A bela atriz Júlia Yamaguchi, que vive a personagem Scheyla na série “Sintonia” (Netflix), lembrou que o Brasil que protege suas crianças é “o Brasil de hoje, não o de amanhã”. Já a diretora executiva da ChildHood Brasil, Laís Peretto, comentou o esforço para criar uma efetiva mobilização nacional (bateu à porta do gabinete do deputado Hugo Motta, presidente da Câmara, inclusive, com uma delegação do movimento). “Percebemos que no ambiente online os números crescem mais rápido. Em 2025, uma em cada cinco crianças foi vítima de assédio e isto não pode ficar assim. Queremos trabalhar a prevenção também, pois todos somos obrigados a cuidar das nossas crianças”, desabafou, não sem antes dizer que só a PF (Polícia Federal) recebeu 1.700 denúncias.  

DOAÇÃO do I.R.

Rogério Mônaco, diretor da Associação Beneficente Santa Fé, que presta trabalho único de acolhimento às meninas grávidas, na cidade de São Paulo, lembrou da necessidade de acelerarmos as ações preventivas. Camila Feldberg, do projeto Amigos de Valor (vinculado ao Santander), que apoia crianças e adolescentes vulneráveis, falou sobre os volumes (acima de R$ 100 milhões) movimentados no país, mas chamou a atenção para a doação de parcela do I.R. (Imposto de Renda) que podem ser destinados a projetos sociais. “Menos de 3% das empresas fazem isso e este é o momento de melhorarmos o engajamento”, destacou.

Thiago Figueiredo, delegado da Polícia Federal, também participou do evento de um ano do Movimento Violência Sexual Zero, destacando o trabalho da entidade. “Precisamos ter visibilidade, como disse a Luciana Temer, para encorajar à participação, uma vez que só a repressão não é suficiente; é preciso prevenção”. 

FAZER MAIS

A frase mais repetida no evento “podíamos ter feito muito mais” me tocou profundamente, disse Lilian Mancuso, publisher do jornal Empresas & Negócios. Apostando na disseminação da informação como fator de apoio ao movimento, ela considera “simplesmente inadmissível” qualquer forma de violência sexual.

Pós-graduada em psicologia transpessoal, recorda-se das séries de matérias que o jornal publicou em novembro de 2017 e 2025, mês alusivo ao Dia Mundial para a Prevenção e Cura da Exploração, Abuso e Violência Sexual Infantil. A data foi instituída pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2022, com o objetivo de ampliar a conscientização sobre o problema, que tem escala global. (https://jornalempresasenegocios.com.br/noticias/outras-colunas/combate-ao-abuso-infantil/)

“O tema da violência contra a criança sempre repercutiu muito forte em meu coração, mas a violência sexual é algo inadmissível. Quero aproveitar o momento e convidar as empresas, e pessoas físicas, a participar deste movimento, legítimo e necessário, porque a prevenção ainda é o melhor caminho. Vamos refletir que a violência cometida deixa sequelas, invariavelmente graves, e se não tratadas provocarão marcas por toda a vida”, completa Lilian, concitando: “Vem com a gente!”

RECONHECIMENTO

No ato realizado no Museu de Arte de São Paulo (MASP) – encerrado com um espetáculo da Orquestra Sinfônica de Heliópolis, projeto social que construiu em novembro último o primeiro teatro no mundo em território de favela, comandado pelo maestro Edilson Ventureli — , foi lançado o 1. Edital de Reconhecimento do Movimento Violência Sexual Zero – Ano base 2026.

Objetivo é dar visibilidade às ações transformadoras, incentivar a responsabilidade social e fortalecer a rede de proteção. Veja regulamento no site https://violenciasexualzero.com.br/.

Caminhos do Combate ao Abuso Infantil (Parte 1) – Jornal Empresas & Negócios