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Copa do Mundo de 2026 pode expor novo desafio dos pagamentos internacionais na América Latina

em Artigos
quinta-feira, 02 de julho de 2026

Jorge Iglesias (*)

A Copa do Mundo de 2026 deve funcionar como um teste de escala para a infraestrutura de pagamentos internacionais. Embora o Brasil não seja país-sede, bancos, fintechs, varejistas e empresas de tecnologia da região serão impactados pelo aumento de compras, viagens, reservas, ingressos e transações em moeda estrangeira. O movimento coloca em evidência um desafio: tornar os pagamentos cross-border mais simples, seguros, transparentes e integrados à jornada do consumidor.

Esse tema não começa na Copa. O crescimento das compras internacionais digitais, do e-commerce global e do turismo já vinha pressionando instituições financeiras a oferecer experiências mais fluidas em etapas como conversão cambial, liquidação internacional, autenticação de pagamentos e prevenção a fraudes.

Durante grandes eventos globais, consumidores esperam pagar com a mesma facilidade que encontram em seus mercados de origem: com conveniência e confiança. Quando o pagamento falha, demora, cobra taxas pouco claras ou exige etapas excessivas, o problema passa a afetar diretamente a relação com o cliente.

No caso brasileiro, o impacto começa antes mesmo da viagem, com compra de passagens, hospedagens, ingressos, seguros, câmbio, uso de cartões, carteiras digitais e, em alguns casos, soluções baseadas em contas globais ou iniciativas de interoperabilidade entre meios de pagamento. Para sustentar esse fluxo, instituições financeiras precisam avaliar suas infraestruturas de pagamentos, incluindo Pix, SPB, integrações Swift, redes de cartões, motores de autorização, compliance e core bancário.

Não é apenas absorver um pico de demanda. O desafio está em conectar diferentes sistemas, moedas, regras regulatórias e modelos de liquidação sem transferir complexidade para o usuário final.

Dados do Banco Mundial, por meio do Global Findex 2025, com base em 2024, indicam que cerca de 75% da população adulta global já utiliza pagamentos digitais, o que dimensiona a mudança de comportamento: consumidores que já incorporaram meios digitais à rotina esperam encontrar a mesma conveniência em viagens, compras internacionais e experiências de entretenimento fora do país.

Soluções cross-border ganham protagonismo justamente por permitir que instituições financeiras e varejistas conectem diferentes mercados de forma mais eficiente. A evolução desse ecossistema integra toda a cadeia de pagamentos, da autorização à liquidação, passando por compliance, prevenção a fraudes e gestão cambial.

O verdadeiro impacto estará na conversão desse avanço em benefícios permanentes para consumidores. A confiança segue como fator decisivo para ampliar a adoção de pagamentos digitais em transações internacionais, que ainda geram dúvidas sobre segurança, taxas, transparência cambial e confiabilidade dos serviços.

Por isso, a evolução do mercado cross-border exige mais do que tecnologia. Exige educação financeira e digital, experiências do usuário e infraestrutura capaz de

sustentar operações globais com segurança e escalabilidade. Para bancos, fintechs e varejistas, há uma oportunidade clara de reposicionar o pagamento internacional como parte estratégica da experiência do cliente.

A Copa de 2026 deve tornar a demanda por pagamentos internacionais mais evidente. O setor financeiro que conseguir combinar conveniência, transparência, segurança e integração estará mais preparado para competir em uma economia digital sem fronteiras.

(*) CEO da Topaz, uma das maiores empresas de tecnologia especializada em soluções financeiras digitais do mundo e parte do Grupo Stefanini.

Da arquibancada ao checkout: por que os pagamentos serão decisivos na Copa de 2026 – Jornal Empresas & Negócios