(*) Juan Jorge Soto
A Copa do Mundo de 2026 já mobiliza milhões de torcedores nos Estados Unidos, Canadá e México. Mas parte importante da experiência do visitante está acontecendo longe dos gramados. Ela ocorre no momento em que um turista reserva um hotel, solicita um transporte por aplicativo, compra produtos oficiais, paga uma refeição ou precisa receber um reembolso.
A próxima Copa será histórica não apenas por acontecer em três países, mas porque marcará um novo estágio da economia digital aplicada ao turismo global. Em um cenário de alta circulação internacional, os meios de pagamento passaram a ser parte central da experiência do visitante.
Os três países já apresentam alta maturidade digital. Nos Estados Unidos e no Canadá, pagamentos digitais e sistemas interoperáveis estão consolidados. No México, essa transformação ganha ainda mais relevância para a América Latina.
Segundo o Guia de Expansão Global da Nuvei, o país possui um volume de comércio eletrônico de US$ 96,7 bilhões e penetração digital de 74%. O crescimento do setor de viagens aumenta a necessidade de plataformas capazes de suportar grandes volumes de transações com segurança e agilidade.
A dimensão da operação ajuda a explicar esse desafio. Hotéis, companhias aéreas, restaurantes e o varejo precisarão funcionar em ritmo intenso durante semanas. Nesse contexto, pagamentos sem fricção serão tão importantes quanto a infraestrutura física do evento.
Hoje, 79% dos usuários digitais no México já utilizam plataformas internacionais de pagamento. Isso mostra que turistas esperam utilizar seus métodos habituais, em suas próprias moedas e com a mesma facilidade encontrada em seus países de origem.
Essa mudança também impacta a América Latina. O Brasil é um exemplo claro. A popularização do Pix transformou a relação do consumidor com velocidade e conveniência. Como consequência, turistas latino-americanos estão mais exigentes em relação às experiências de pagamento oferecidas pelos destinos que visitam.
A Copa de 2026 surge como um catalisador dessa nova expectativa global. A expansão dos pagamentos móveis deve acelerar investimentos em pagamentos instantâneos, prevenção a fraudes e integração internacional de plataformas financeiras. Mais do que atender à demanda temporária do evento, trata-se de construir uma infraestrutura duradoura para o turismo e a economia digital.
Outro ponto estratégico está na capacidade de lidar com volatilidade. Em períodos de grande movimentação turística, cancelamentos e alterações de reservas se tornam frequentes. Nesse cenário, reembolsos rápidos representam confiança para os consumidores e proteção financeira para as empresas.
Em um ambiente altamente conectado, a percepção do turista sobre um destino não é formada apenas pela qualidade do hotel ou pela experiência no estádio. Ela também depende da facilidade para concluir compras, dividir contas, receber reembolsos e pagar usando o método de sua preferência.
Por isso, talvez o maior legado da Copa de 2026 não esteja apenas nas obras urbanas ou no impacto econômico imediato do torneio, mas na modernização da infraestrutura financeira da região. Os países que compreenderem que os pagamentos digitais fazem parte da experiência do visitante estarão mais preparados para a nova dinâmica do turismo global.
No fim, parte da experiência da Copa de 2026 será construída longe dos gramados. Ela acontecerá na fluidez de cada compra, na velocidade de cada reembolso e na confiança transmitida em cada transação. Porque, em um turismo cada vez mais digital, pagamentos deixaram de ser bastidores e passaram a fazer parte do espetáculo.
(*) Juan Jorge Soto é General Manager da Nuvei para a América Latina.
