Analfabetismo e ajuste fiscal

Fabio Arruda Mortara (*)

No Brasil, há 14 milhões de analfabetos absolutos e cerca de 35 milhões de analfabetos funcionais (20,3% dos habitantes/IBGE 2012). Estes, para o IBOPE (2005), são 68%.

Ante tais estatísticas, é uma afronta o corte de R$ 9,5 bilhões no orçamento do Ministério da Educação em 2015. Para o ajuste fiscal, há despesas supérfluas e de custeio que podem ser extintas, como os milhares de cargos preenchidos por apaniguados políticos. O corte de verbas do MEC é prejudicial às metas qualitativas. O mesmo se aplica a estados e municípios.

O governo paulista, por exemplo, acaba de cancelar a compra de 18 milhões de livros para alunos e professores. Ademais, há programas federais, como a Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA), que simplesmente não serão realizados em 2105. Para a indústria gráfica, que pioneiramente defendeu a destinação de 10% do PIB ao ensino, é preocupante assistir a esses retrocessos.

Realizamos no Brasil, desde 2014, a campanha Two Sides, que conta com 42 entidades signatárias, as quais congregam 80 mil empresas, geradoras de 615 mil empregos diretos e faturamento anual de US$ 40 bilhões. É um trabalho voltado ao esclarecimento das virtudes e importância da comunicação impressa.

O propósito de Two Sides é demonstrar o caráter sustentável da comunicação impressa e o seu significado para a sociedade. E estamos obtendo sucesso nesses objetivos. Contudo, nenhuma mídia, impressa ou eletrônica, será plenamente sustentável enquanto persistir grau elevado de analfabetismo, inclusive o funcional.

Assim, é importante que as autoridades reflitam se há algum sentido em continuar tirando verbas da educação.

(*) – É presidente do Sindigraf-SP, coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva do Papel, Gráfica e Embalagem da Fiesp, presidente da Confederação Latino-americana da Indústria Gráfica e country manager da Two Sides Brasil.

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